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Crescimento do etanol de milho no Brasil reduz os preços do açúcar e desafia usinas de cana

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Com a maior concorrência, indústria canavieira tem optado pela produção de açúcar, o que aumentou a oferta; etanol à base de milho deverá representar 32% do total na safra que começa em abril

A corrida para produzir combustível para carros a partir do milho no Brasil teve um efeito colateral: uma queda nos preços globais do açúcar.

A crescente produção de etanol de milho no país afastou os processadores de cana-de-açúcar do mercado de biocombustíveis, o que fez com que destinassem uma parcela recorde da safra para a produção de açúcar. O movimento ajudou a levar os preços do adoçante ao menor nível em quatro anos.

A mudança ressalta os crescentes desafios enfrentados pela outrora poderosa indústria canavieira. Usinas, incluindo a Raízen e a São Martinho, costumavam alternar entre produzir mais açúcar ou etanol, conforme o que fosse mais lucrativo.

Agora, a crescente concorrência do biocombustível à base de milho significa que muitas delas podem ter que continuar com o foco no açúcar – mesmo que os preços continuem baixos.

“O problema do mercado hoje é que temos outro elemento que é o etanol de milho”, disse o diretor geral no Brasil da trading Sucres et Denrees, Jeremy Austin, durante a conferência Sugar Week, em São Paulo. “A previsão de preços não será uma maravilha” para os produtores, acrescentou.

Os contratos futuros do açúcar caíram mais de 20% neste ano – o que coloca a commodity no caminho da maior perda anual desde 2018 – em meio à perspectiva de aumento da oferta.

 

A produção global excederá o consumo em 2,8 milhões de toneladas no ano comercial que começou neste mês, revertendo o déficit da temporada passada, de acordo com a StoneX. Contratos futuros indicam preços ainda mais baixos para entregas de açúcar em 2026.

Normalmente, nesse cenário, as usinas de cana da principal região produtora do Brasil passariam a produzir mais etanol. Mas elas estão prestes a produzir um recorde de 43 milhões de toneladas de açúcar na safra do próximo ano, um aumento de 4,6% em relação à colheita anterior, segundo a consultoria Datagro.

Isso ocorre porque um número crescente de empresas que transformam milho em combustível inunda o país com etanol, com custo mais baixo de produção do que o feito a partir da cana-de-açúcar.

Embora o etanol de cana-de-açúcar ainda seja dominante, a produção à base de milho representará 32% do substituto da gasolina produzido no país na safra que começa em abril, ante 23% na atual, de acordo com a StoneX.

A perspectiva de oferta recorde de etanol na próxima temporada ameaça derrubar os preços, e tornar o açúcar uma opção ainda melhor para as usinas de cana, principalmente no estado de São Paulo, maior produtor, disse a analista Camila Lima, da StoneX.

As ações da Raízen, maior processadora de cana-de-açúcar do Brasil, despencaram 56% neste ano. Concorrentes menores, como a Jalles e a São Martinho, perderam 42% e 36%, respectivamente.

Os processadores de cana-de-açúcar ampliaram a capacidade de produção de açúcar nos últimos anos para enfrentar a crescente concorrência do etanol de milho e aproveitar ao máximo a disparada dos preços do açúcar entre 2022 e 2023.

Os usineiros brasileiros “não terão outra escolha” a não ser produzir mais açúcar, disse o economista da Datagro, Bruno Wanderley de Freitas.

Bloomberg|Dayanne Sousa

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