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Criminosos invadem usina em Sertãozinho, SP, ameaçam vigia e incendeiam máquinas agrícolas

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Em seu depoimento à polícia, o vigia contou que ouviu explosões e fugiu para um canavial.

Ele foi resgatado horas depois, após pedir socorro para um funcionário da empresa que passava pelo local de caminhonete.

A vítima também afirmou que os criminosos teriam dito que “já que iam derrubar os ranchos deles, eles também iriam dar prejuízos para a usina”.

Por telefone, um dos funcionários da empresa disse neste domingo (1º) ao g1 que o prejuízo com as máquinas incendiadas ainda não foi calculado.

Em nota, a Agropecuária Iracema lamentou o ocorrido e informou que a medida é fruto do cumprimento de Ação Civil Pública.

“A empresa sofreu atos de vandalismo em relação a equipamentos e lavoura canavieira, bem como agressão física e psicológica contra seus colaboradores. Os autores de tais atos afirmaram se tratar de resposta dos rancheiros às medidas de desocupação de Áreas de Preservação Permanente para adequações ambientais às margens do Rio Pardo, fato este a ser apurado pelas autoridades. A empresa lamenta profundamente o ocorrido e reitera que as medidas em tais áreas são fruto do cumprimento de Ação Civil Pública”.

Justiça obrigou desocupação de área

Na sexta-feira (29), uma decisão da juíza Mariana Tonoli Angeli, da 1ª Vara da Fazenda de Jardinópolis (SP), obrigou a desocupação e a demolição dos ranchos instalados em uma Área de Preservação Permanente às margens do Rio Pardo em Jardinópolis e Sertãozinho. No local, vivem, pelo menos, 800 famílias.

Em junho, os ranchos em Jardinópolis começaram a ser demolidos após decisão que atendia ação civil pública movida pelo Ministério Público, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegou a suspender a desocupação uma semana depois.

Os ranchos que ficam em Sertãozinho também tinham uma liminar que suspendia a demolição deste lado do rio.

Em nova decisão proferida na sexta-feira, no entanto, a juíza Mariana Angeli entendeu que seria desnecessário aguardar o trânsito em julgado e determinou a demolição de todos os imóveis no prazo de dez dias.

O impasse já dura mais de 20 anos, começou em 2000 com a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmada entre Ministério Público e Usina Santo Antônio S/A, até então proprietária da área, e teve desdobramentos nos últimos meses.

O g1 entrou em contato com o advogado que representa parte dos rancheiros, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.

— G1

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