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Déficit global sustenta alta do açúcar e Londres atinge máxima de 16 meses

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Os preços internacionais do açúcar fecharam em forte alta nesta segunda-feira, 17, sustentados pelas perspectivas de aperto na oferta global e pelas projeções de déficit para a safra 2026/27. Na ICE Futures de Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto avançou 1,63%, enquanto o açúcar branco negociado em Londres subiu 2,31% e alcançou a maior cotação em 16 meses.

Em Nova York, o contrato outubro fechou com valorização de 0,27 centavo, cotado a 16,80 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato outubro ganhou US$ 11,80 e encerrou a sessão a US$ 522,60 por tonelada.

As cotações vêm acumulando forte valorização em agosto diante das expectativas de menor disponibilidade global de açúcar nos próximos ciclos. Na última quarta-feira, o açúcar bruto negociado em Nova York chegou à máxima de 1,25 ano, enquanto Londres renovou nesta segunda-feira a máxima de 16 meses.

Entre os fatores que sustentam o movimento estão as revisões recentes nas estimativas para o balanço mundial de açúcar em 2026/27. Em 3 de agosto, a Covrig Analytics passou a projetar déficit global de 300 mil toneladas, revertendo a estimativa de junho, que apontava superávit de 100 mil toneladas.

A Green Pool Commodity Specialists também ampliou sua previsão de déficit para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão de toneladas estimadas em junho. A StoneX, por sua vez, elevou sua projeção de déficit de 550 mil toneladas, em maio, para 1,7 milhão de toneladas.

Em junho, a Czarnikow já havia alterado sua estimativa para o balanço global de 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para déficit de 100 mil toneladas. Segundo a trading, a mudança refletiu, entre outros fatores, o maior direcionamento da cana para a produção de etanol pelas usinas brasileiras diante da alta dos preços do petróleo provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã.

Déficit também é projetado para 2027/28

As preocupações com a oferta avançam para a temporada seguinte. Na última sexta-feira, a Czarnikow projetou déficit global de açúcar de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28, diante da expectativa de redução das áreas cultivadas com cana-de-açúcar e beterraba.

A trading estima que a produção mundial de açúcar recue 0,7% na comparação anual, para 177 milhões de toneladas, principalmente em razão de impactos climáticos esperados na Índia, União Europeia e Tailândia.

Na Europa, a seca e as temperaturas elevadas também pressionam as perspectivas de produção. Segundo dados da S&P Global Energy, a produção conjunta de açúcar da União Europeia e do Reino Unido deve cair para 14,98 milhões de toneladas neste ano, o menor volume em 11 anos.

Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, as chuvas acumuladas das monções entre junho e 17 de agosto estavam 13% abaixo da média histórica, segundo o Departamento Meteorológico da Índia. Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% registrado no fim de junho, o órgão já havia indicado que as precipitações em agosto e setembro provavelmente ficariam abaixo do normal. O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que a atual temporada de monções pode ser a mais fraca em 11 anos.

Menor produção brasileira também dá suporte

O desempenho da produção no Centro-Sul do Brasil completa o cenário de sustentação das cotações. Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) mostraram que a produção de açúcar da região caiu 26,3% em junho na comparação anual, para 3,903 milhões de toneladas.

O resultado brasileiro ganha peso no mercado internacional porque o país é o maior produtor mundial de açúcar e tem participação relevante na disponibilidade global da commodity.

Com informações da Barchart

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