Os preços do açúcar operaram sob pressão nesta quinta-feira, influenciados pela valorização do dólar no mercado internacional. O contrato março/26 do açúcar bruto na bolsa de Nova York encerrou o pregão em queda de 0,01 centavo, ou 0,07%, em 14,82 centavos de dólar por libra-peso. Enquanto o açúcar branco março/26 em Londres (ICE #5) fechou com leve alta de 0,20 dólar, avanço de 0,05%, em US$ 423,90.
Após atingirem máximas de uma semana, os preços recuaram e passaram a apresentar comportamento misto, em meio à alta do índice do dólar (DXY), que alcançou o maior nível em quatro semanas. A valorização da moeda norte-americana estimulou movimentos de liquidação de posições compradas nos contratos futuros de açúcar.
Inicialmente, os preços chegaram a subir ao longo do dia, sustentados pela expectativa de compras relacionadas ao rebalanceamento anual de índices de commodities. Segundo projeções do Citigroup, os índices BCOM e S&P GSCI, os dois maiores índices globais de commodities, devem registrar entradas de cerca de US$ 1,2 bilhão em contratos futuros de açúcar ao longo da próxima semana, como parte desse processo de ajuste de carteiras.
Brasil e Índia no radar do mercado
No início da semana, os contratos em Nova York haviam alcançado o maior nível em dois meses e meio, diante das expectativas de uma redução futura na oferta de açúcar do Brasil. De acordo com a consultoria Safras & Mercado, a produção brasileira de açúcar na safra 2026/27 deve recuar 3,91%, para 41,8 milhões de toneladas, ante 43,5 milhões de toneladas estimadas para a safra 2025/26.
A consultoria também projeta que as exportações brasileiras de açúcar em 2026/27 devem cair 11% na comparação anual, totalizando cerca de 30 milhões de toneladas.
Por outro lado, o mercado segue atento aos sinais de maior oferta de açúcar na Índia, que voltaram a pressionar as cotações. Na semana passada, os preços recuaram para as mínimas em duas semanas após a divulgação de dados mais robustos de produção no país.
A India Sugar Mill Association (ISMA) informou que a produção indiana de açúcar na safra 2025/26, no período de 1º de outubro a 31 de dezembro, avançou 25% na comparação anual, somando 11,90 milhões de toneladas, frente a 9,54 milhões de toneladas no mesmo intervalo do ciclo anterior.
Além disso, em 11 de novembro, a ISMA revisou para cima sua estimativa de produção total de açúcar da Índia na safra 2025/26, elevando a projeção para 31 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 30 milhões de toneladas, o que representa crescimento de 18,8% em relação à safra passada.
A associação também reduziu sua estimativa de açúcar destinado à produção de etanol no país, para 3,4 milhões de toneladas, abaixo da projeção feita em julho, de 5 milhões de toneladas. Esse ajuste pode abrir espaço para um aumento das exportações indianas de açúcar, em um contexto em que a Índia ocupa a posição de segundo maior produtor mundial da commodity.