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Estresse hídrico afeta safra de cana em 2025 e ameaça produtividade no interior de São Paulo

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Especialista da Esalq-USP explica que cultivo sofreu com a falta de chuvas e temperaturas altas que impactaram a qualidade da cana-de-açúcar

O ano de 2025 foi marcado pelo desvio negativo de chuvas e presença de temperaturas elevadas, fatores que condicionam a qualidade da cana-de-açúcar em Piracicaba (SP) e configuram a chamada deficiência hídrica, segundo dados da Estação Meteorológica do campus da Esalq-USP em Piracicaba (SP).

Os meses de janeiro, fevereiro e março, especificamente, sofreram com a falta de chuvas e temperaras altas e, portanto, afetaram a qualidade da cana-de-açúcar da safra de 2025/26, que foi colhida a partir de abril.

A brotação da nova safra também foi prejudicada, segundo o agrometeorologista, Felipe Pilau, do departamento de engenharia de biossistemas da Esalq-USP.

“A cana acaba sentindo mais o estresse hídrico e isso tem uma relação muito forte com a capacidade de produção da planta. Então, esses primeiros meses do ano, que são os meses chuvosos, tiveram impacto, sim, na produtividade da cana colhida nessa safra”, explicou.

Por outro lado, os meses reconhecidos pelo frio foram, de fato, frios. O especialista relata que as temperaturas nas raízes das plantas podem ser até 4°C inferiores do que a da superfície, resultando na formação de geada.

Ou seja, além de sofrer por estresse hídrico, a produção de cana-de-açúcar também foi afetada pelo estresse térmico. “A cana é uma cultura sensível ao frio e à geada. Várias áreas, certamente, tiveram a rebrota prejudicada pela geada e isso também vai ter um impacto na safra que vai ser colhida no ano que vem”, afirma.

Em setembro e outubro choveu menos do que o esperado. E, novembro, apesar de ter tido mais chuva do que o previsto, teve o volume concentrado no primeiro dia do mês.

Pilau explica que este episódio não é benéfico para a cultura de cana-de-açúcar, já que parte desta água não é retida no solo, sendo drenada. Isso faz com que o cenário de deficiência hídrica prossiga.

“A gente já tem um problema hídrico, não é muito acentuado, mas tem. Não há uma expectativa de ter meses mais chuvosos, basicamente, é dentro do normal. Aí, a gente tem uma variabilidade natural, ou seja, podemos ter mais meses com chuva um pouco abaixo da média”, indica.

Ele indica que, se esta previsão se realizar, ela acarretará produtividades um pouco abaixo do esperado para a próxima safra.

Recomendações

Em entrevista ao G1, o professor e pesquisador da Esalq orienta que, diante de uma condição metrológica que não é tão favorável, o recomendado é focar no manejo para minimizar os efeitos.

“Mas o principal é ter esse entendimento das condições meteorológicas para poder tomar alguma decisão. Não é a melhor das situações, muitas vezes foge do esperado. Então, ter a informação, investir em estações metrológicas, investir em sistemas de monitoramento metrológico, usar as previsões de tempo, usar as tendências climáticas e do panorama [é importante] para poder ajustar todos os manejos”, recomenda.

Andamento da safra

A União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) aponta que, na primeira quinzena de novembro, as unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 18,76 milhões de toneladas ante 16,41 milhões de toneladas na safra 2024/25.

“No acumulado da safra 2025/26 até 16 de novembro, a moagem atingiu 576,25 milhões de toneladas, ante 583,59 milhões de toneladas registradas no mesmo período no ciclo anterior – recuo de 1,26%”, detalha.

Segundo a entidade representativa do setor, na primeira quinzena de novembro, 42 unidades encerraram a moagem. No acumulado desde o início da safra, 120 unidades já concluíram o processamento, ante apenas 70 usinas no mesmo período do ciclo anterior.

G1|Ana Elisa Desiderá
Sob supervisão de Claudia Assencio

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Episódio 20: Murchamento: A Nova Ameaça da Cana | DaCana Cast

Episódio 19: Ameaça a produtividade dos canaviais: doenças e nematoides. Como se proteger?

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