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Estudo sobre custos dos CBios superestima valores, diz Unica

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A União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), que representa grande parte das empresas que emitem créditos de descarbonização (CBios), afirmou nesta terça-feira, 12, que um estudo divulgado pela associação de distribuidores de combustíveis Brasilcom superestima os gastos das empresas de distribuição com tais títulos.

A Brasilcom, federação que reúne mais de 40 distribuidoras regionais de combustíveis do Brasil, divulgou estudo que aponta que os CBios causaram aumento médio de R$ 0,14 por litro no preço do diesel nas bombas e de R$ 0,12 por litro na gasolina, diante de um repasse de custos com o programa pelas distribuidoras em 2023.

As distribuidoras de combustíveis do Brasil, pela lei do RenovaBio, têm metas de compras de CBios, cujo custo é repassado aos consumidores. Já os produtores de etanol e biodiesel são os emissores dos créditos.

Segundo nota da Unica divulgada nesta terça-feira, o estudo divulgado pela Brasilcom “apresenta uma análise econométrica que simplifica demasiadamente o funcionamento dos mercados de gasolina e diesel, obtendo resultados absolutamente desconectados da realidade”.

A Unica afirma que, pela análise divulgada pela associação, se forem multiplicados aqueles valores pelo consumo de diesel e gasolina observado de janeiro a outubro de 2023, obtém-se “um total de R$ 12,24 bilhões que, segundo o estudo apresentado, foram acrescidos ao preço dos combustíveis fósseis para custear a compra de CBios”.

“Ocorre, entretanto, que, segundo dados públicos disponíveis no site da B3, nesse mesmo período a compra de CBios pelos distribuidores totalizou apenas R$ 3,15 bilhões. Essa condição atesta de forma inequívoca que o impacto calculado pelo estudo é superestimado e não representa a realidade”, disse a Unica.

A lógica apresentada para 2023, afirmou a Unica, repete-se nas estimativas obtidas pela associação para todos os anos.

“A superestimação dos efeitos do CBio nos preços de bomba dos combustíveis fósseis é tão destoante da realidade ao ponto de multiplicar toda a movimentação financeira desde o início do RenovaBio em quase quatro vezes”, comenta.

A associação de produtores de biodiodiesel Aprobio considerou o estudo da Brasilcom como “tentativa de determinados setores da distribuição de combustíveis de desfigurar a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) em favor do maior uso do diesel fóssil poluidor”.

Segundo a Aprobio, “a postura não é nova”.

“Agora, mais uma vez, organizam-se para pressionar e para desmontar um conjunto de políticas públicas ambientais que fazem do Brasil uma referência global no processo de descarbonização do setor de transportes demonstrando um profundo desinteresse pelo tema da descarbonização”, disse a Aprobio.

A associação disse que há uma oferta de CBios superior ao necessário para o atendimento das metas.

Segundo a Aprobio, as distribuidoras também podem, por lei, “misturar mais biodiesel ao diesel fóssil do que o mandato estabelece e assim diminuir sua obrigação de aquisição de CBios no ano seguinte”.

Reuters
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