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Antes de ir para a bolsa de valores e ser certificada no RenovaBio, a Usina Bioflex já poderá exportar etanol para a Europa, ainda em 2021, e participar do mercado de carbono por lá. A unidade atende por GranBio, grupo controlado pelos Gradin.

Também conhecida por pioneira na produção de etanol de segunda geração, o 2G — extraído do bagaço e palha da cana -, é esse o único biocombustível que a companhia produz, num arco de produtos biotecnológicos que passa pela biomassa e alcança a nanocelulose e bioquímicos para várias finalidades.

A chancela dada pela Roundtable on Sustainable Biomaterials (RSB), autorizada pela União Europeia (UE) a certificar empresas que atendam o conjunto de normas da comunidade (RED II), dá a chance de a GranBio retomar conversas mais comerciais com importadores.

De acordo com as informações, contatos já haviam sido feitos, mas faltava o status agora conferido. Segundo Júlio Espírito Santo, gerente de Biotecnologias, em uma entrevista ao portal “Money Times”, em uma região onde as exigências na mitigação dos gases efeitos estufa são severas, especialmente de fornecedores globais que compensem o pouco que as empresas locais possam fazer, a menor pegada de carbono do 2G, na comparação com o etanol 1G (o convencional), abre definitivamente as portas.

Nesse momento, por exemplo, a unidade de São Miguel dos Campos, em Alagoas, não está em atividade. É entressafra no Nordeste. E também a Bioflex dificilmente, num futuro próximo, conseguirá atingir a capacidade de seu layout, que Espírito Santo fala em 30 milhões de litros em um período de 11 meses.

A safra nordestina é curta, de setembro a março, quando muito, e recheada de problemas climáticos. Na recém concluída temporada, a indústria não chegou à meta esperada de 2,5 a 3 milhões de litros mensais, “por problemas externos”, garante o executivo.

Mas não haveria dificuldade em atender o mercado externo em caso dessa demanda começar a chegar, no próximo ciclo ou nos outros, mesmo que a homologação para o RenovaBio aconteça até o final de 2021 e a empresa possa ser remunerada com a venda de Crédito de Descabornização (CBio).

Segundo a matéria do Money Times, ele não fala, mas naturalmente que a GranBio desviaria parte do que fica no mercado interno. Isso porque o 2G é mais caro de ser produzido e, no Brasil, é vendido a preço de etanol convencional, apesar de Júlio Espírito Santo afirmar que o custo de produção do produto — também não comentado — é pouca acima do verificado no outro. A empresa e os parceiros fornecedores, como a produtora de enzimas Novozymes, dominam os processos da fabricação com mais desenvoltura, que faltam há muitas outras companhias. Junto com a GranBio, o mercado só conhece a Raízen no 2G, que começou bem mais tarde. Desde 2011 até o momento, o grupo já investiu R$ 1,5 bilhão.

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