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Na safra 2021/22, o mix de produção deverá se ajustar às expectativas de preços relativos de etanol e açúcar. No entanto, de acordo com o Cepea/Esalq (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), é certo que as cotações do petróleo e derivados devem definir o “preço teto” para o etanol, e, nesse sentido, o cenário é positivo para a competitividade do biocombustível.

“Instituições financeiras e o mercado, de forma geral, trabalham com um cenário de preços médios para petróleo e derivados em 2021 superiores ao que vigoraram em 2020”, afirmam os pesquisadores do Cepea.

Quanto aos preços em 2021, as expectativas atuais dos agentes do mercado de etanol hidratado – refletidas, de certa forma, nos contratos futuros negociados na B3 – são de que estes operem acima de R$ 2.000,00/m³.

Segundo análise do Cepea, somente em abril, maio, junho e julho, quando a pressão vendedora esperada é maior, os valores devem ficar apenas um pouco abaixo desse patamar. Na B3, o contrato Dezembro/21 chega a R$ 2.135,00/m³, superior ao de Dezembro/2020, que foi de R$ 2.105,50/m³.

 Como fica a demanda?

Em relação à demanda de combustíveis, não se espera, em 2021, retração como a que ocorreu no segundo e terceiro trimestres de 2020, mesmo com recrudescimento da pandemia associada à covid-19.

Segundo os pesquisadores do Cepea, não há mais espaço na atual conjuntura econômica nacional para implementar medidas emergenciais de ajuda financeira à população de baixa renda que permitam a sobrevivência, mesmo tendo vários setores da economia paralisados. Assim, restrições de mobilidade como as vistas em 2020 não devem ocorrer.

“Considerando-se que não haja queda significativa da demanda em 2021 e um mix de produção favorável ao açúcar, com estagnação ou queda do ATR, pode-se esperar que os preços de etanol se estabeleçam sempre em patamares muito próximos à paridade com o valor da gasolina”, afirmam.

Safra começa em abril

Com a finalidade de minimizar os efeitos do clima e da pandemia sobre a produtividade dos canaviais e a qualidade da planta a ser colhida, a moagem na região Centro-Sul deve se iniciar em abril, não se prevendo a antecipação da safra como ocorreu em anos anteriores.

De acordo com o Cepea, os mais otimistas consideram, no entanto, que o clima pode ser favorável nos dois primeiros meses de 2021, permitindo uma recuperação dos canaviais e pouca alteração relativamente a 2020 no ATR disponível.

“O açúcar deve continuar remunerando mais que o etanol em 2021, considerando-se a conjuntura esperada para cada um desses dois mercados, tanto no âmbito nacional quanto no internacional, e, dessa forma, pode-se inferir que usinas devem privilegiar a fabricação do adoçante, limitadas, no entanto, pela capacidade instalada nessa linha de produção”, projetam os pesquisadores do Cepea.

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