Perspectiva de superávits sucessivos nas próximas safras e avanço da produção global continuam pesando sobre as cotações em Nova York e Londres
Os preços do açúcar voltaram a operar sob pressão nesta quarta-feira, 04, diante da perspectiva de manutenção de excedentes globais ao longo das próximas safras. O contrato de açúcar bruto para março fechou em queda de 0,19 centavo de dólar, ou 1,3%, para 14,44 centavos por libra-peso, recuando para a mínima de dois meses e meio – de 14,13 centavos de dólar por libra-peso – registrada na segunda-feira. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco recuou 1,4%, para US$ 411,80 por tonelada.
Analistas da trading Czarnikow afirmaram que esperam um superávit global de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente ainda maior, de 8,3 milhões de toneladas, estimado para 2025/26.
O movimento reforça a tendência observada no início da semana. Na segunda-feira, o açúcar em Nova York recuou para o menor patamar em 2,5 meses, enquanto o contrato em Londres atingiu a mínima em cinco anos, refletindo o cenário de oferta global elevada. Na última quinta-feira, a Green Pool Commodity Specialists projetou um superávit global de 2,74 milhões de toneladas em 2025/26 e um excedente adicional de 156 mil toneladas em 2026/27. Na sexta-feira, a StoneX também apontou para um superávit global de 2,9 milhões de toneladas na safra 2025/26.
No Brasil, os dados mais recentes da Unica reforçam o viés de maior oferta. Em 21 de janeiro, a entidade informou que a produção acumulada de açúcar do Centro-Sul na safra 2025/26, até dezembro, alcançou 40,222 milhões de toneladas, crescimento de 0,9% na comparação anual. O mix destinado ao açúcar também avançou, com 50,82% da cana direcionada ao produto, ante 48,16% na safra 2024/25.
A Índia, segundo maior produtor global de açúcar, também contribui para o aumento da disponibilidade no mercado internacional. A India Sugar Mill Association informou em 19 de janeiro que a produção indiana de açúcar entre 1º de outubro e 15 de janeiro da safra 2025/26 somou 15,9 milhões de toneladas, alta de 22% na comparação anual. Em novembro, a associação revisou para cima sua estimativa de produção total do país em 2025/26, para 31 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 30 milhões, o que representa crescimento de 18,8% em relação ao ciclo anterior.
Além disso, a entidade reduziu a projeção de açúcar destinado à produção de etanol na Índia para 3,4 milhões de toneladas, abaixo da estimativa de 5 milhões divulgada em julho. A revisão abre espaço para um aumento potencial das exportações indianas, adicionando mais oferta ao mercado global.
Com a combinação de produção elevada nos principais países produtores e sucessivos excedentes projetados, o mercado segue pressionado, mantendo as cotações do açúcar em níveis historicamente baixos nos mercados internacionais.
Com informações da Barchart