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Fim do acordo entre Rússia e Ucrânia pode mexer com mercado de grãos e fertilizantes

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Milho e adubos podem ficar mais caros à frente

Com o fim do acordo entre Rússia e Ucrânia, os preços do milho podem subir na bolsa de Chicago, especialmente se o clima seco continuar castigando as lavouras americanas, dizem analistas. Uma alta nesse mercado poderia, inclusive, reverter a tendência de queda nas cotações internacionais dos fertilizantes.

Luiz Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica, afirma que a Rússia pode ter anunciado sua saída do acordo nesta segunda-feira para pressionar o Ocidente a acatar suas exigências.

Milho

“No milho, já está mais ou menos precificado, porque o mercado sabia que a renovação era pouco provável. E neste momento os ucranianos não têm muito milho para exportar”, afirma o Ênio Fernandes.

Fernandes explica que, geralmente, os embarques de milho da Ucrânia ocorrem entre outubro e janeiro, e quando as exportações americanas e brasileiras ficam menos competitivas. “Eles têm a vantagem de estar mais perto de portos asiáticos, o que favorece a logística”, diz.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estimou, na semana passada, que a Ucrânia seria o quarto maior exportador de milho da safra global 2023/24, com 19,5 milhões de toneladas de milho.

Ainda sobre o mercado de milho, o analista da Terra Agronegócios afirma que o ponto de atenção é a safra americana. Segundo eles, modelos meteorológicos indicam uma redução das chuvas e um aumento das temperaturas nos próximos 14 dias. Ele lembra que o milho e a soja dos EUA estão em fase bastante delicadas e a chuva é essencial. “Se isso reduzir a produtividade americana, a dependência dos grãos ucranianos, e a falta deles, será sentida mais à frente”, afirma.

Outro efeito colateral do fim do acordo é uma reversão na tendência de acomodação dos preços globais dos fertilizantes. A Stonex diz que pode haver um impacto no longo prazo, caso os grãos subam. “Pode haver aumento de demanda de adubo para safra de verão e o acompanhamento dos valores mais altos praticados por conta da necessidade”, indica a empresa.

José Florentino e Isadora Camargo – Globo Rural

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