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Fitch rebaixa rating da Raízen para ‘BBB-’ e mantém observação negativa

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A Fitch Ratings rebaixou na sexya-feira, 24, os ratings de longo prazo em moeda estrangeira e local da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A. de ‘BBB’ para ‘BBB-’. O rating das notas seniores da Raízen Fuels Finance S.A., com vencimento entre 2027 e 2054, também foi reduzido para ‘BBB-’. Todos os ratings permanecem em Observação Negativa.

Ao mesmo tempo, a agência manteve os Ratings Nacionais de Longo Prazo ‘AAA(bra)’ das companhias e de diversas emissões de debêntures, com perspectiva estável.

Segundo a Fitch, o rebaixamento reflete a deterioração da estrutura de capital da empresa, com aumento do endividamento e enfraquecimento do fluxo de caixa maior do que o previsto para o exercício fiscal de março de 2026. Sem vendas relevantes de ativos ou aporte de capital, a alavancagem líquida deve se manter em torno de 4,0 vezes, acima do nível compatível com o rating anterior.

A agência destacou que os controladores da Raízen discutem uma injeção de capital que pode incluir um novo acionista, e que a empresa busca a venda de ativos, embora ainda haja incertezas sobre prazo e execução.

Projeções financeiras

No cenário-base da Fitch, o EBITDA deve alcançar R$ 11,9 bilhões em 2026 e R$ 12,6 bilhões em 2027. O CFFO projetado é negativo em R$ 4,3 bilhões em 2026, mas passa a positivo em R$ 5,6 bilhões em 2027. Apesar disso, o fluxo de caixa livre (FCF) deve permanecer negativo até 2027 devido às despesas financeiras elevadas e altos investimentos. A agência não espera distribuição de dividendos no período.

Para o setor, a Fitch avalia que os produtores brasileiros podem se beneficiar de preços firmes do açúcar em 2025/26, projetando 18 centavos de dólar por libra-peso em 2026, contra os atuais 16,5 centavos. Já o etanol mantém preços médios de R$ 2,85 por litro, acima do previsto, mas pode recuar diante de maior produção de usinas e expansão do etanol de milho.

Estrutura de dívida e perspectivas

A Fitch ressaltou que a Raízen ocupa posição de liderança no setor de açúcar e etanol e a segunda colocação em distribuição de combustíveis no Brasil, com escala e diversificação superiores às de seus concorrentes. Os ratings também refletem a importância da companhia para seus acionistas: a Shell plc, para quem a Raízen é o segundo maior mercado global, e a Cosan S.A., com portfólio diversificado em energia e logística.

Em 30 de junho de 2025, a Raízen possuía R$ 15,7 bilhões em caixa e aplicações e R$ 63,7 bilhões em dívida total, sendo R$ 4,6 bilhões com vencimento no curto prazo. O perfil de liquidez é reforçado por linhas de crédito rotativo não utilizadas de US$ 700 milhões (2026) e US$ 300 milhões (2027).

A Fitch aponta que novo rebaixamento pode ocorrer caso a companhia não consiga aporte de capital ou venda de ativos que reduzam a dívida, mantendo alavancagem acima de 3,5 vezes. Por outro lado, uma desalavancagem consistente abaixo de 2,5 vezes poderia levar à elevação do rating.

A agência informou que pretende revisar os ratings em até seis meses e que a Observação Negativa poderá ser resolvida com desalavancagem significativa, possivelmente viabilizada por injeção de capital ou pela venda das operações na Argentina.

Natália Cherubin para RPAnews

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