Os preços do açúcar encerraram a sessão em queda pelo segundo dia consecutivo, pressionados pela desvalorização do real frente ao dólar, movimento que estimula as exportações brasileiras e aumenta a oferta global da commodity. O contrato julho do açúcar bruto na ICE de Nova York fechou com baixa de 0,19 centavo de dólar por libra-peso, ou 1,27%, enquanto o açúcar branco negociado em Londres recuou US$ 4,40 por tonelada, equivalente a 0,99%.
De acordo com informações do mercado, o real atingiu mínima de cinco semanas frente ao dólar, fator que aumenta a competitividade das exportações brasileiras de açúcar. A valorização da moeda norte-americana tende a incentivar as usinas do Centro-Sul a ampliarem as vendas externas da commodity.
Apesar da pressão recente, o mercado ainda monitora fatores de sustentação para os preços no médio prazo. Entre eles está a perspectiva de oferta global mais apertada na safra 2026/27. A Datagro elevou sua estimativa de déficit global de açúcar para 3,17 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 2,26 milhões de toneladas. Já a StoneX projeta déficit de 550 mil toneladas no próximo ciclo, após superávit estimado em 2,3 milhões de toneladas na temporada 2025/26.
O mercado também acompanha revisões nas projeções para a produção brasileira. O Citigroup estimou a produção de açúcar do Brasil em 39,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, abaixo da previsão da Conab, de 43,95 milhões de toneladas. Segundo a instituição, o avanço dos preços da gasolina tem incentivado usinas a direcionarem mais cana para a produção de etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar.
Dados da Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul na primeira quinzena de abril caiu 11,9% na comparação anual, para 647 mil toneladas. No período, a participação do mix açucareiro recuou para 32,9%, ante 44,7% registrados no mesmo intervalo da safra anterior.
Além do cenário brasileiro, operadores seguem atentos ao mercado internacional. A Índia prorrogou restrições às exportações de açúcar até o fim de setembro para preservar a oferta doméstica, enquanto preocupações climáticas envolvendo um possível El Niño voltaram ao radar do mercado, especialmente para Índia e Tailândia.


