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Grupos sucroenergéticos Pedra e Ipiranga deixarão sociedade na Copersucar

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A Copersucar, maior comercializadora global de açúcar e etanol, perderá dois dos seus maiores associados. Com oito unidades industriais, os grupos Pedra Agroindustrial e Ipiranga Agroindustrial – segunda e quarta maiores acionistas com 18,7% de participação somadas – informaram que deixarão a companhia.

Os grupos não renovarão os contratos a partir de março de 2027, mês que marcará o final da próxima safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul brasileiro. Fontes do AgFeed apontaram que houve um desalinhamento estratégico entre as associadas e a Copersucar.

Procurada pela reportagem, a Copersucar confirmou, em nota, a saída das associadas e justificou que os grupos Pedra e Ipiranga “destacaram o desejo em focar seus esforços exclusivamente na produção de açúcar e etanol, excluindo-se, dessa forma, as frentes de diversificação propostas no plano de negócios do Ecossistema Copersucar”.

Nascida em 1969 como Cooperativa dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, a Copersucar se tornou uma sociedade anônima em 2008 para comercializar os produtos dos associados e de outros produtores. Entre outras empresas, controla a trading Alvean, o Terminal Açucareiro Copersucar (TAC), a Eco-Energy, a Copersucar USA, e é sócia na Evolua Etanol e na Logum.

“Com 66 anos de história, a Copersucar se tornou líder global na comercialização de açúcar e etanol e seu modelo de atuação prevê a entrada e saída de usinas associadas. O volume produzido pelos dois grupos, somado, representa cerca de 6% do total comercializado pela companhia”, completou a Copersucar.

As ações de Pedra e Ipiranga serão pulverizadas entre as outras associadas. Já em relação à produção que seria perdida pela saída dos dois grupos, parte deve ser recuperada pela Copersucar por meio de maior oferta de outras associadas. A Cocal, terceira maior acionista com 8,85% de participação, por exemplo, anunciou na última semana a aquisição de duas unidades da Raízen, ambas em Rio Brilhante (MS), e terá quatro usinas associadas.

Com 11,35% de participação acionária, a Pedra Agroindustrial é uma das mais tradicionais e longevas empresas do setor sucroenergético. Fundada em 1931, em Serrana (SP), a companhia tem quatro unidades produtoras: a usina da Pedra, que batiza o grupo, a Buriti, em Buritizal (SP); a Ipê, em Nova Independência (SP); e a Cedro, em Paranaíba (MS), inaugurada nesta safra.

Segundo informações da companhia, as unidades industriais paulistas processaram 13,52 milhões de toneladas de cana na safra 2024/25, produziram 505,5 mil toneladas de açúcar e 834,4 milhões de litros de etanol, além da geração de 752,5 mil MWh de energia elétrica a partir de biomassa para o sistema.

Na primeira safra, a usina Cedro tem previsão de processar 614,23 mil toneladas de cana-de-açúcar, produzir 53,3 milhões de litros de etanol e ofertar 38.602 MWh.

Procurada, a Pedra Agroindustrial informou apenas que o grupo segue com contrato vigente com a Copersucar e que não iria comentar a saída da sociedade.

Com 7,36% de participação acionária da Copersucar, a Ipiranga Agroindustrial também tem origem em Serrana (SP). Há 80 anos, Mario Tittoto iniciou o cultivo de cana na região. Mas somente em 1988 a família Tittoto ingressou no ramo industrial, adquirindo o controle acionário da Açucareira Santo Alexandre, em Mococa (SP), em sociedade com a família Cunali.

A Ipiranga Agroindustrial cresceu com usinas em Descalvado e Iacanga, ambas no estado de São Paulo, e uma quarta unidade, em Passos (SP), foi adquirida em 2021. Na safra passada, as usinas processaram 9 milhões de toneladas de cana, produziram 390 milhões de litros de etanol, 594,6 mil de toneladas de açúcar e geraram 320 mil MWh de energia a partir do bagaço da cana.

A companhia foi procurada, mas não retornou ao AgFeed até a publicação dessa reportagem.

Gigante do setor de originação e comercialização com 70 países, a Copersucar encerrou a safra 2024/25 com uma receita líquida de R$ 62,3 bilhões e lucro líquido de R$ 402 milhões, altas de 15,3% e 43,1%, respectivamente, sobre o período anterior.

O volume exportado de açúcar avançou 21% para o recorde de 15,6 milhões de toneladas, e o volume de etanol somou 19,1 bilhões de litros, alta de 23%, considerando as vendas no Brasil e nos Estados Unidos.

A moagem de cana advinda das usinas sócias Copersucar chegou a 107 milhões de toneladas de cana em 2024/25, 17% do total do Centro-Sul do Brasil, de 622 milhões de toneladas.

*AgFeed/Gustavo Porto

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Ep. 21: O futuro do setor sucroenergético | Perspectiva para Safra 2026/27

Episódio 20: Murchamento: A Nova Ameaça da Cana | DaCana Cast

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