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Melhoramento genético impulsiona avanço das variedades IAC

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Especialista afirma que materiais mais modernos unem produtividade, sanidade e longevidade, mas destaca que a substituição de variedades antigas ainda precisa acelerar

As variedades desenvolvidas pelo Programa Cana IAC vêm ampliando sua participação nos canaviais brasileiros, impulsionadas pelo lançamento de materiais mais modernos, produtivos e livres das principais doenças. Segundo o pesquisador Rubens Braga, do Instituto Agronômico (IAC), o avanço reflete a aceitação dos novos materiais pelos produtores, mas o setor ainda precisa acelerar a substituição das variedades antigas para aproveitar plenamente os ganhos proporcionados pelo melhoramento genético.

De acordo com Braga, o Programa Cana IAC disponibilizou nos últimos anos uma série de novas variedades, lançadas em 2017, 2021, 2022 e 2025, que vêm apresentando excelentes resultados nas unidades produtoras. Entre elas estão materiais como IACSP01-3127, IACSP04-6007, IACCTC05-5579 e a mais recente IACCTC09-6166, liberada para plantio comercial em 2025.

O pesquisador explica que o avanço é ainda mais evidente nos novos plantios, indicando uma crescente confiança dos produtores nas variedades desenvolvidas pelo instituto. Segundo ele, características como rápido nascimento, boa brotação e fechamento de entrelinha facilitam a implantação dos canaviais e, somadas ao desempenho obtido na colheita, vêm estimulando a adoção desses materiais. O levantamento do IAC mostra crescimento contínuo da participação das variedades da instituição nos plantios realizados na região Centro-Sul nos últimos anos.

Características favorecem produtividade e longevidade

Além da produtividade e da resistência às principais doenças, Rubens Braga destaca que as variedades IAC apresentam diferenciais importantes para o manejo da cultura.

Segundo ele, o porte ereto e o alto perfilhamento facilitam a colheita mecanizada, além de contribuírem para aumentar a longevidade dos canaviais e melhorar o desempenho ao longo dos diferentes cortes. Esses fatores vêm sendo cada vez mais valorizados por produtores e usinas na escolha dos materiais para novos plantios.

O pesquisador também chama atenção para o desempenho observado no Mato Grosso, estado que registrou o maior crescimento proporcional da participação das variedades IAC nos últimos anos. De acordo com Braga, esse avanço está associado, principalmente, à adoção do manejo do terceiro eixo em grande parte das unidades produtoras, prática que, combinada com o plantio das variedades IAC, vem proporcionando resultados expressivos.

Renovação varietal é desafio para aproveitar o potencial do melhoramento

Na avaliação de Rubens Braga, os programas brasileiros de melhoramento genético vêm entregando variedades cada vez mais produtivas e adaptadas aos desafios enfrentados pela cultura, como mudanças climáticas, pragas, doenças e necessidade de aumento da produtividade.

Segundo ele, os dados mostram um ganho médio anual de 1,4% proporcionado pelo melhoramento varietal nas últimas três décadas, o que representa um incremento acumulado de 52% na produtividade das variedades de cana-de-açúcar ao longo do período. No entanto, o pesquisador ressalta que esse potencial só será plenamente aproveitado se a substituição das variedades mais antigas pelas cultivares mais modernas ocorrer de forma mais rápida.

As perspectivas, segundo Braga, permanecem positivas. Entre os materiais lançados recentemente, ele destaca a variedade IACCTC09-6166, liberada para plantio comercial em 2025.

“Essa variedade tem atributos muito difíceis de serem encontrados ao mesmo tempo, pois além do alto potencial produtivo em peso, ela apresenta excelentes resultados em função dos valores elevados em ATR”, conclui.

Natália Cherubin para RPAnews

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