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Mercado projeta alta de 20% nas exportações de etanol em 2026/27

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Levantamento da Argus aponta embarques de 1,535 milhão de m³ na safra; maior movimentação deve se concentrar entre julho e setembro

As exportações brasileiras de etanol podem alcançar 1,535 milhão de m³ na safra 2026/27, alta de 20% em relação ao ciclo anterior, segundo a mediana das projeções de participantes do mercado consultados pela Argus. O aumento dos embarques ocorre em um ciclo de expansão da oferta do biocombustível, com o mercado projetando produção de 38 milhões de m³ apenas no Centro-Sul, enquanto os maiores volumes destinados ao exterior são esperados entre julho e setembro.

Na safra 2025/26, o Brasil exportou 1,28 milhão de m³ de etanol, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Entre abril e junho deste ano, primeiro trimestre da temporada 2026/27, os embarques somaram 168.742 m³, em um início de safra considerado fraco para as vendas externas. Em julho, outros 178.480 m³ foram exportados.

Com isso, aproximadamente 1,18 milhão de m³ ainda precisariam ser embarcados entre agosto de 2026 e março de 2027 para que a projeção mediana apurada pela Argus seja alcançada.

A expectativa dos participantes de mercado é de que uma parcela importante das exportações fique concentrada entre julho e setembro, diante de uma janela de oportunidade aberta em mercados nos quais o etanol brasileiro disputa espaço com o produto dos Estados Unidos.

Produtores e exportadores brasileiros fecharam negócios com destinos como Índia, Nigéria, Filipinas, Coreia do Sul e países europeus, com previsão de embarques entre julho e setembro.

Agências marítimas projetavam cargas de até 220 mil m³ de etanol em agosto. O maior movimento chegou a contribuir para a formação de filas nos portos do Sudeste, enquanto o mercado de combustíveis também acompanhava a chegada de volumes expressivos de gasolina importada.

Frete teve papel na competitividade

Além da relação entre os preços do etanol brasileiro e do norte-americano, os custos de transporte marítimo tiveram papel importante na competitividade do produto brasileiro no mercado externo.

Segundo Maria Ligia Barros, responsável pela precificação de etanol da Argus, o encarecimento do frete após a guerra entre Estados Unidos e Irã tornou o etanol brasileiro menos competitivo no primeiro semestre diante do produto norte-americano, principalmente em mercados geograficamente mais próximos dos Estados Unidos.

“Sim, principalmente os custos de transporte marítimo. O frete mais caro na esteira da guerra entre Estados Unidos e Irã tornou o etanol brasileiro menos atrativo que o dos EUA no primeiro semestre para compradores em mercados mais próximos da América do Norte, como a Europa”, afirmou.

A abertura da janela de exportação também ocorre depois de um período de forte pressão sobre as cotações domésticas. O etanol hidratado negociado em base PVU em São Paulo chegou a R$ 2.513 por m³, equivalente Ribeirão Preto, em 28 de julho, menor nível desde 12 de março de 2024.

Desde então, a cotação recuperou R$ 230 por m³, chegando a R$ 2.743 por m³ em 13 de agosto.

Parte dos agentes de mercado vê, entretanto, poucas chances de uma janela de oportunidade semelhante voltar a se abrir até o fim da safra.

O etanol dos Estados Unidos costuma ganhar competitividade entre outubro ou novembro e março, período mais frio no Hemisfério Norte e historicamente marcado por menor consumo de combustíveis.

Esse intervalo também coincide com a aproximação da entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul, quando os preços domésticos do etanol tendem a subir.

A curva futura de Chicago precifica queda nas cotações do etanol norte-americano até março de 2027, com recuperação a partir de abril. Já os contratos futuros de etanol hidratado brasileiro negociados na B3 indicam preços em alta entre setembro de 2026 e janeiro de 2027.

Nos cenários mais baixistas, parte dos participantes trabalha com exportações próximas de 1,4 milhão de m³, principalmente em caso de produção abaixo do esperado ou de menor demanda internacional pelo produto brasileiro.

Mercado espera 38 milhões de m³ no Centro-Sul

A maior movimentação das exportações ocorre em uma safra na qual o mercado espera forte crescimento da produção brasileira de etanol.

Segundo pesquisa da Argus com as principais empresas do setor, os participantes projetam produção de 38 milhões de m³ de etanol no Centro-Sul em 2026/27, volume 12,7% superior ao registrado na região na temporada anterior.

Para o Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 40,68 milhões de m³ na atual safra. Caso confirmada, será a maior produção da série histórica de 21 anos da companhia.

Entre os fatores associados à expansão da produção estão o crescimento das operações de etanol de milho, a recuperação dos canaviais após a seca de 2024 e o menor direcionamento da cana para a fabricação de açúcar.

Apesar da expectativa de aumento das exportações, a Argus avalia que a disponibilidade de etanol deverá ser suficiente para atender tanto ao consumo brasileiro quanto ao mercado externo.

“A oferta nesta safra deve ser suficiente para atender o mercado doméstico e o externo. Caso o consumo interno venha mais forte que o esperado em 2026/27, o Brasil pode reduzir os volumes a serem exportados e direcioná-los ao mercado doméstico”, afirmou Maria Ligia.

A agência não possui uma projeção específica para a divisão dos 1,535 milhão de m³ esperados para exportação entre etanol anidro e hidratado. Maria Ligia observa, porém, que o anidro vem aumentando sua participação nos embarques diante da ampliação dos mandatos de mistura de etanol à gasolina em diferentes países, especialmente na Ásia.

Para a analista, o crescimento esperado das exportações em 2026/27 também deve ser observado em uma perspectiva mais ampla de aumento da oferta brasileira.

“O crescimento das exportações de etanol esperado para 2026/27 faz parte de uma tendência de longo prazo que vem como uma forma de endereçar o superávit de oferta projetado para os próximos anos.”

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