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Milho: renovação do acordo de exportação envolvendo Rússia e Ucrânia poderão provocar movimentação nas cotações

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A semana passada foi marcada pela continuidade das negociações sobre o acordo do Mar Negro, plantio da 2ª Safra de milho e mais uma queda na expectativa da produção da Argentina. Diante disso, as cotações de Chicago finalizaram a semana sendo cotadas a U$ 6,35 o bushel (+1,28%) para o contrato com vencimento em maio/23.

De acordo com Ruan Sene, analista de mercado da Grão Direto, as negociações do acordo de exportação de grãos do Mar Negro continuam e há um consenso de renovação. Porém, neste momento, ainda há um embate em relação à extensão do acordo, em que a Rússia defende uma renovação de 60 dias, enquanto as Nações Unidas, Turquia e Ucrânia, uma extensão de 120 dias.

Segundo ele, um período de extensão mais curto aumenta de forma significativa os riscos envolvendo a logística para os navios, considerando que demora, em média, 40 dias para finalizar todo o processo de carregamento e liberação.

“O plantio da safrinha 2023 continua progredindo, porém teve um ritmo mais lento na semana. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), houve evolução de 8,9% durante a semana, atingindo 72,5% a nível nacional. Apesar do avanço, ainda encontra-se com 14,9% de atraso em relação ao ano anterior. No geral, as lavouras seguem em bom desenvolvimento, mas ainda precisam da continuidade do clima favorável”, explica.

As exportações brasileiras continuam aquecidas, se comparadas ao ano anterior. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em apenas 8 dias úteis do mês de março, o Brasil exportou em torno de 730 mil toneladas de milho, superando as 14 mil toneladas exportadas em todo mês do ano anterior. Isso reforça a continuidade da demanda internacional pelo milho brasileiro.

O que esperar do mercado?  

De acordo com o analista, o clima continuará favorecendo o plantio no Brasil durante a semana, mas começa a apresentar algumas dúvidas em relação a chegada do outono no Brasil. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) aponta que essa estação é caracterizada pela transição entre o verão quente e úmido e o inverno frio e seco, principalmente no Brasil Central, em um cenário que poderá frustrar a expectativa de produção recorde.

“Notícias sobre a renovação do acordo de exportação envolvendo Rússia e Ucrânia poderão provocar movimentação nas cotações, principalmente se houver algum tipo de resistência ou exigências adicionais de alguma das partes envolvidas. O mercado espera que o acordo seja renovado por mais 120 dias e a exportação de milho continue”.

Já as cotações brasileiras, de acordo com Sena, poderão continuar pressionadas diante das projeções otimistas de produção no país, e dessa forma, ter uma semana de desvalorização em relação aos preços.

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