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Mosca-dos-estábulos traz alerta do STJ para o setor sucroenergético

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Decisão inaugura uma fase em que a gestão ambiental deixa de ser custo e passa a ser ativo estratégico

Por Taciany Ferreira*

A recente decisão do Superior Tribunal de Justiça sobre a responsabilização de uma usina sucroenergética pela proliferação da mosca-dos-estábulos reposiciona, de forma inequívoca, o debate ambiental no agronegócio brasileiro.

Não se trata apenas de um caso isolado, mas de um recado direto ao setor: a gestão inadequada de subprodutos orgânicos, especialmente da vinhaça, deixou de ser uma questão operacional para se consolidar como um risco jurídico relevante, mensurável e, agora, amplamente comprovável.

A mosca-dos-estábulos, historicamente tratada como um problema recorrente e difuso, passa a ser reconhecida sob uma ótica técnica e jurídica mais rigorosa. Ao validar o nexo causal entre a atividade sucroenergética e os danos à pecuária, o STJ eleva o padrão de exigência sobre o controle ambiental nas usinas.

A mensagem é clara: não basta cumprir formalidades; é preciso demonstrar efetividade, rastreabilidade e domínio técnico sobre os impactos gerados.

O efeito imediato dessa jurisprudência é a ampliação do passivo potencial das usinas. Produtores rurais, antes limitados por barreiras probatórias, agora encontram respaldo em um precedente robusto.

O risco deixa de ser hipotético e passa a integrar a matriz estratégica das empresas, afetando desde a governança até o licenciamento. Soma-se a isso o dano reputacional, cada vez mais sensível em um mercado que valoriza práticas ESG consistentes e verificáveis.

Nesse novo cenário, a diferença entre vulnerabilidade e segurança jurídica está diretamente ligada à capacidade técnica de gestão ambiental. O manejo da vinhaça, o monitoramento entomológico e a implementação de protocolos eficazes de controle da mosca-dos-estábulos exigem conhecimento especializado, abordagem científica e documentação precisa. Não há mais espaço para soluções genéricas ou reativas.

É nesse ponto que a atuação de consultorias ambientais com domínio comprovado do tema se torna decisiva. Mais do que mitigar impactos, trata-se de estruturar um sistema defensável, capaz de prevenir riscos, produzir evidências técnicas e sustentar a operação diante de questionamentos legais e sociais. Empresas que investem em inteligência ambiental não apenas reduzem sua exposição jurídica, mas também fortalecem sua posição perante o mercado e a sociedade.

A decisão do STJ inaugura uma fase em que a gestão ambiental deixa de ser custo e passa a ser ativo estratégico. Para o setor sucroenergético, o desafio não é pequeno: adaptar-se rapidamente a um padrão mais exigente, sob pena de ver sua imagem comprometida.

Por outro lado, abre-se uma oportunidade clara para aquelas usinas que compreenderem a profundidade dessa mudança e se anteciparem, transformando conformidade em vantagem e risco em governança.

 

*Taciany Ferreira é diretora da Volare Consultoria Ambiental

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