Home Últimas Notícias MME analisa incluir combustível marítimo sustentável no RenovaBio
Últimas Notícias

MME analisa incluir combustível marítimo sustentável no RenovaBio

Compartilhar

O desenho também envolve a padronização de critérios de certificação e a formação de polos industriais e energéticos em portos estratégicos

A estruturação pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de um mercado de combustíveis marítimos sustentáveis no Brasil passa pela definição de metas de descarbonização alinhadas à regulação internacional, pela inclusão desses combustíveis em políticas já existentes – como o RenovaBio – e pela criação de instrumentos de financiamento e incentivos capazes de viabilizar a adaptação da infraestrutura portuária e logística.

O desenho também envolve a padronização de critérios de certificação e a formação de polos industriais e energéticos em portos estratégicos, com potencial de concentrar produção, abastecimento e exportação de combustíveis de baixo carbono.

As diretrizes constam do relatório final do Subgrupo de Trabalho de Combustível Aquaviário Sustentável da Resolução CNPE nº 10/2024, e agora estão sendo avaliadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME). O documento foi aprovado na última reunião do Conselho, realizada no dia 1º de abril.

No campo regulatório, uma das frentes centrais é a avaliação da inclusão dos combustíveis aquaviários sustentáveis no RenovaBio, com possíveis ajustes legais e metodológicos para acomodar as especificidades do transporte marítimo.

A medida é vista como forma de aproveitar instrumentos já consolidados de indução de mercado, ao mesmo tempo em que se amplia a demanda por combustíveis de menor intensidade de carbono.

Também há o encaminhamento de alinhar o país às metodologias adotadas pela Organização Marítima Internacional (IMO) 2020, especialmente no que diz respeito à mensuração de emissões de gases do efeito estufa com base em análise de ciclo de vida.

A padronização é vista como condição necessária para garantir competitividade internacional e evitar distorções na avaliação dos combustíveis produzidos no país, em especial os biocombustíveis.

O relatório também aponta a necessidade de criação de mecanismos econômicos e financeiros que reduzam o diferencial de custo entre combustíveis fósseis e alternativas de baixo carbono, considerado pelo documento como um dos principais entraves atuais à adoção em escala.

Nesse sentido, o grupo de trabalho sugere a ampliação de linhas de crédito, incentivos fiscais e instrumentos de apoio à pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de medidas para dar previsibilidade regulatória a projetos de longo prazo.

As propostas devem ser alvo de discussão no debate técnico sobre o futuro Programa Nacional do Combustível Sustentável de Navegação, marcado para esta sexta-feira, 17, no auditório do Ministério de Minas e Energia.

Infraestrutura e custo travam avanço

O diagnóstico do relatório indica que, no horizonte imediato, os biocombustíveis líquidos devem concentrar a maior parte das soluções de descarbonização do transporte marítimo, especialmente por sua compatibilidade com a infraestrutura e a frota existentes.

Combustíveis do tipo drop-in, como misturas de biodiesel ao bunker fóssil, já apresentam viabilidade técnica e vêm sendo testados no Brasil e em hubs internacionais de abastecimento.

Outras rotas, como etanol e óleo vegetal hidrotratado (HVO), também são apontadas como alternativas com elevado potencial, mas ainda enfrentam limitações relacionadas à escala de produção, ao desenvolvimento tecnológico e à adaptação de motores.

No caso do etanol, o relatório destaca que, apesar da ampla disponibilidade no país, a aplicação no transporte marítimo ainda depende da validação de tecnologias específicas.

Ao mesmo tempo, combustíveis como hidrogênio e amônia aparecem como soluções de longo prazo, ainda em estágio inicial de maturidade, com desafios relevantes de custo, segurança operacional e infraestrutura.

O avanço dessas alternativas, no entanto, esbarra em gargalos estruturais. O relatório identifica a infraestrutura portuária como um dos principais pontos críticos, tanto pela necessidade de novos investimentos em armazenamento e abastecimento quanto pelas exigências de segurança e licenciamento associadas a combustíveis com características distintas das atualmente utilizadas.

A ausência de diretrizes regulatórias claras para essas adaptações é apontada como fator que eleva custos e desestimula investimentos.

Além disso, o custo relativo dos combustíveis sustentáveis segue como um desafio central, com potencial de impactar a competitividade do transporte marítimo e das exportações brasileiras.

O documento ressalta a necessidade de equilibrar a agenda de descarbonização com a preservação da eficiência logística, especialmente em um país com forte dependência do comércio exterior e longas rotas marítimas.

Brasil como fornecedor global

Como forma de viabilizar escala e atrair investimentos, o relatório propõe o desenvolvimento de clusters industriais e energéticos em portos com vocação para combustíveis de baixo carbono. A ideia é estruturar hubs capazes de integrar produção, armazenamento, abastecimento e exportação, criando economias de escala e reduzindo custos logísticos.

A recomendação ressalta que a configuração desses polos deve levar em conta as características das rotas marítimas e dos tipos de carga movimentados, evitando investimentos desalinhados com a demanda efetiva.

Portos com maior concentração de rotas regulares e pressão regulatória internacional, por exemplo, tendem a apresentar maior viabilidade para adoção de novas soluções no curto e médio prazo.

No plano estratégico, o relatório avalia que o Brasil reúne condições para assumir papel relevante no fornecimento global de combustíveis marítimos de baixo carbono, apoiado na escala de produção de biocombustíveis e na maior participação de fontes renováveis em sua matriz energética.

Ao mesmo tempo, o documento alerta que esse potencial depende da capacidade de reduzir incertezas regulatórias, alinhar políticas domésticas a padrões internacionais e viabilizar investimentos em infraestrutura.

JOTA| Larissa Fafá

Compartilhar

Episódio 32: Manutenção de mancais: como evitar falhas e paradas durante a safra?

Episódio 31: Como aumentar a confiabilidade dos acionamentos mecânicos nas usinas?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas Notícias

Raízen Energia aprova mudanças no estatuto para avançar em conversão de registro na CVM

A Raízen Energia aprovou, por unanimidade, a reforma e consolidação de seu...

Últimas NotíciasDestaque

Centro-Sul pode encerrar safra com 14 milhões de toneladas de cana bisada

Pecege estima moagem de 640,7 milhões de toneladas em 2026/27, com produtividade...

Últimas Notícias

Irrigação na cana exige planejamento integrado e gestão eficiente da água

Segundo diretor agrícola da bp bioenergy, estratégia deve considerar disponibilidade hídrica, solo,...

AçúcarMercadoÚltimas Notícias

Preço do açúcar bruto recua na ICE após atingir máxima de 16 meses

Os futuros do açúcar bruto negociados na ICE recuaram em relação às...