A S&P Global Ratings rebaixou o rating corporativo (nota de crédito) da Raízen de CCC+ para CCC-, mantendo perspectiva negativa. Esta é a segunda revisão feita pela agência em menos de um mês e ocorre em meio às discussões sobre uma reorganização da estrutura de capital da companhia.
Desta vez, o corte também atingiu os títulos seniores não garantidos emitidos pela Raízen Fuels Finance, que passaram a ter a mesma classificação.
A S&P manteve ainda a nota de recuperação em 3, indicando expectativa de recuperação de cerca de 65% em caso de inadimplência. A decisão ocorre poucos dias após a companhia informar que avalia a implementação de uma solução abrangente para fortalecer sua estrutura financeira.
Em fato relevante divulgado ao mercado, a Raízen afirmou que, caso necessário, pode recorrer a um processo de recuperação extrajudicial. Entre as medidas analisadas está uma injeção de capital de R$ 4 bilhões. Desse total, R$ 3,5 bilhões seriam aportados pela Shell e R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, holding ligada à família do empresário Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan.
O plano em discussão também inclui venda de ativos, otimização das operações, conversão de parte da dívida em ações e alongamento de prazos de vencimento.
Na avaliação da S&P, uma conversão de dívida, considerada uma troca em situação de dificuldade financeira, é altamente provável. A agência também destacou que os controladores da companhia discutem há mais de um ano alternativas para reduzir a alavancagem, mas ainda sem consenso, fator que levou a S&P a classificar a governança da empresa como negativa.
No terceiro trimestre do ano-safra, encerrado em dezembro, a dívida da Raízen alcançou R$ 55,3 bilhões. Nos primeiros nove meses do período, a companhia acumulou prejuízo de R$ 19,8 bilhões.
Agência Estado