Home Últimas Notícias [Opinião] Açúcar, fogo e estratégia: quem está realmente moendo mais na safra 24/25?
Últimas Notícias

[Opinião] Açúcar, fogo e estratégia: quem está realmente moendo mais na safra 24/25?

Compartilhar
Você piscou… e a segunda maior safra da história do Centro-Sul foi moída debaixo de sol forte, praga brava e até queimada fora de hora. Ainda assim, 621,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar foram processadas. Uma queda de 5%, mas que soa como vitória num ano em que o clima parecia ter feito voto de oposição.
Segundo relatório da FG/A – Finanças, o que salvou a pátria (ou pelo menos os talhões) foi o aumento da área de colheita: 8 milhões de hectares. Isso mesmo. O setor tirou força de onde já não tinha e arrancou produtividade na unha – com ajuda da famosa “cana bisada” e da expansão de área nas últimas safras.
Mas o dado que realmente mexe com o mercado (e com a cabeça dos estrategistas) é outro: os 5 maiores grupos do setor responderam por apenas 27,8% da moagem. Em outras palavras, a concentração caiu, e o mapa do poder açucareiro está menos concentrado que caldo de cana no fim da feira.
Entre os 15 maiores grupos, apenas dois conseguiram crescer a moagem:
•Vale do Verdão (+5%)
•Adecoagro (+2,1%)
Os demais? Redução generalizada. E não foi pouca coisa:
•Raízen, mesmo liderando com folga (78,3 milhões de toneladas), caiu 7%.
•BP Bunge e Lincoln Junqueira perderam quase 8%.
•Colombo despencou 14,1% e perdeu o posto de 11ª para a ascendente Delta, que subiu três posições.
Isso tudo num cenário em que os grandes moeram 304 milhões de toneladas (contra 322 milhões no ciclo anterior), enquanto os menores, mesmo com menos estrutura, encolheram menos: queda de 4,5%.
O que isso nos ensina? Que, no setor sucroenergético, não basta ter escala. É preciso ter estratégia, agilidade e, claro, uma reza forte contra El Niño. A safra 25/26 já bate na porta — e quem souber interpretar a natureza (e o mercado) com inteligência pode surpreender.
A fonte dos dados — reforço aqui com todo zelo e transparência — é o excelente relatório da FG/A – Finanças, que está disponível publicamente e pode ser acessado via este link.
E como bom mineiro, fecho com um ditado adaptado à lavoura: “Cana que nasce torta, só endireita com gestão — e um bom olho no céu.”

*Wladimir Eustáquio Costa é CEO da Suporte Postos, especialista em mercados internacionais de combustíveis, conselheiro e interventor nomeado pelo CADE, com foco em governança e estratégia no setor downstream.

 

As opiniões expressas nos artigos são de responsabilidade de seus respectivos autores e não correspondem, obrigatoriamente, ao ponto de vista da RPAnews. A plataforma valoriza a pluralidade de ideias e o diálogo construtivo.
Compartilhar

Episódio 32: Manutenção de mancais: como evitar falhas e paradas durante a safra?

Episódio 31: Como aumentar a confiabilidade dos acionamentos mecânicos nas usinas?

Enviamos diariamente um boletim informativo com destaques do setor bioenergético 

Artigo Relacionado
Últimas NotíciasDestaque

Tereos investe R$ 568 milhões na renovação de canaviais

Recursos integram pacote de R$ 839 milhões destinado à manutenção das operações...

Últimas Notícias

Super El Niño amplia riscos à oferta global de açúcar, aponta Hedgepoint

Seca na Ásia, chuvas no Brasil e revisão para baixo na União...

Últimas Notícias

Argélia abre mercado para DDG brasileiro e amplia espaço para coproduto do etanol de milho

Autorização ocorre em meio ao crescimento das exportações do produto, que já...

Últimas NotíciasDestaque

TST afasta responsabilidade de usina em acidente com empregado de transportadora de cana

Decisão reforça que contratação comercial de transporte não configura, por si só,...