Os preços internacionais do açúcar recuaram nesta quarta-feira pressionados pela perspectiva de ampla oferta global da commodity, que tem superado os fatores de risco geopolítico que poderiam elevar os custos de transporte. No mercado futuro, o contrato maio do açúcar bruto negociado em Nova York encerrou o dia em queda de 1,44%, a 13,73 centavos de dólas por libra-peso, enquanto o contrato maio do açúcar branco em Londres recuou 1,23%, fechando a US$ 409,30.
A pressão sobre as cotações ocorre em meio à expectativa de excedentes globais nas próximas safras. Analistas da trading Czarnikow projetam um superávit mundial de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente ainda maior de 8,3 milhões de toneladas em 2025/26.
Outras consultorias também apontam cenário semelhante. A Green Pool Commodity Specialists estima um superávit global de 2,74 milhões de toneladas na safra 2025/26 e de 156 mil toneladas em 2026/27, enquanto a StoneX projeta excedente de 2,9 milhões de toneladas no ciclo 2025/26.
De acordo com a Organização Internacional do Açúcar (ISO), o mercado global deve registrar superávit de 1,22 milhão de toneladas em 2025/26, revisão inferior à projeção anterior de 1,63 milhão de toneladas. A entidade destaca que o saldo positivo ocorre após um déficit estimado em 3,46 milhões de toneladas na safra 2024/25.
Segundo a ISO, o aumento da produção em países como Índia, Tailândia e Paquistão está entre os principais fatores que sustentam o crescimento da oferta mundial. A entidade projeta que a produção global de açúcar deve crescer 3% na safra 2025/26, alcançando 181,3 milhões de toneladas.
Produção e exportações também influenciam mercado
Embora o cenário de oferta global pressione os preços, alguns fatores continuam oferecendo suporte às cotações. Entre eles estão sinais pontuais de redução na produção brasileira. Dados da Unica indicam que a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil na segunda quinzena de janeiro caiu 36% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando cerca de 5 mil toneladas.
Apesar dessa queda pontual, no acumulado da safra 2025/26 até janeiro, a produção de açúcar na região Centro-Sul segue 0,9% superior à do ciclo anterior, alcançando 40,24 milhões de toneladas. No mesmo período, o mix direcionado ao açúcar também aumentou, passando de 48,14% na safra anterior para 50,74%.
Projeções indicam, no entanto, uma possível redução futura da produção brasileira. A consultoria Safras & Mercado estima que a produção de açúcar do Brasil na safra 2026/27 pode cair 3,91%, para 41,8 milhões de toneladas, ante 43,5 milhões de toneladas esperadas para 2025/26. As exportações brasileiras também podem recuar 11%, para cerca de 30 milhões de toneladas.
Índia e Tailândia ampliam oferta
Outro fator que pressiona o mercado é o aumento da produção na Índia. A Indian Sugar and Bio-energy Manufacturers Association (ISMA) informou que a produção do país entre 1º de outubro e 28 de fevereiro da safra 2025/26 atingiu 24,75 milhões de toneladas, alta de 12% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
A entidade projeta que a produção indiana total na safra 2025/26 deve chegar a 29,3 milhões de toneladas, também cerca de 12% acima do ano anterior, embora abaixo da estimativa inicial de 30,95 milhões de toneladas.
Além disso, a associação reduziu sua estimativa de açúcar destinado à produção de etanol no país para 3,4 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 5 milhões, o que pode aumentar a disponibilidade de açúcar para exportação.
O governo indiano também autorizou exportações adicionais de 500 mil toneladas de açúcar para a temporada 2025/26, além das 1,5 milhão de toneladas já liberadas anteriormente, o que reforça as expectativas de maior oferta no mercado internacional.
Na Tailândia, terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador da commodity, a Thai Sugar Millers Corporation projeta que a produção de açúcar na safra 2025/26 deve crescer cerca de 5%, alcançando 10,5 milhões de toneladas.
Produção global recorde
Projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também reforçam a perspectiva de ampla oferta. Em relatório semestral divulgado em dezembro, o órgão estimou que a produção global de açúcar na safra 2025/26 deve crescer 4,6%, atingindo recorde de 189,3 milhões de toneladas.
O consumo mundial de açúcar deve avançar 1,4%, para 177,9 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais globais são estimados em 41,2 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo do ciclo anterior.