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Perspectiva de um El Niño intenso traz mudanças para mercado global de açúcar

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Com a formação do fenômeno climático El Niño já confirmada, especialistas consideram que é cada vez mais provável que ele aumente em intensidade no segundo semestre do ano, elevando as temperaturas, alterando o regime de chuvas e representando riscos para as safras em todo o mundo.

A seca, o calor ou as chuvas excessivas causados pelo El Niño são um duro golpe para os agricultores, que já enfrentam este ano os choques nos preços dos fertilizantes e do diesel provocados pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Os preços das commodities agrícolas têm apresentado ganhos consistentes durante os episódios anteriores do El Niño.

No caso do açúcar, uma das commodities agrícolas mais negociadas, o El Niño costuma trazer chuvas excessivas no segundo semestre do ano, o que pode atrapalhar e reduzir a qualidade da safra no Brasil, principal produtor mundial.

Na Índia, segundo maior produtor de açúcar, e na Tailândia, segundo maior exportador, por outro lado, o padrão climático costuma reduzir as chuvas durante a monção de verão.

A Índia espera que a monção de 2026 traga o menor volume de chuvas em 11 anos, com precipitações durante o período de desenvolvimento da safra, de junho a setembro, estimadas em 90% da média.

O diretor de açúcar da corretora Hedgepoint, Carlos Murilo de Mello, estima que mesmo um El Niño moderado poderia reduzir a produção da Índia em cerca de 1 milhão de toneladas.

A longo prazo, as chuvas acima da média que o El Niño costuma trazer para as regiões açucareiras do Brasil poderiam ajudar a safra do próximo ano.

Mello afirma que, de modo geral, é “difícil imaginar um cenário de alta no mercado com o El Niño” devido aos seus potenciais benefícios para a safra de açúcar brasileira de 2027. O país é responsável por cerca de metade das exportações mundiais de açúcar.

Definição e características

O El Niño é um aquecimento periódico das temperaturas da superfície do mar no Pacífico oriental, causado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Ele ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e tende a durar entre 9 e 12 meses.

Esse fenômeno climático geralmente resulta em temperaturas mais altas em todo o mundo, secas em regiões como o Sul e Sudeste da Ásia, Austrália e África Austral, e chuvas intensas em outras, incluindo as regiões do sul da América do Sul e dos Estados Unidos.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) declarou a chegada do El Niño na semana passada. Além disso, informou que o padrão climático provavelmente se intensificará, com 63% de probabilidade de um El Niño muito forte ou “super El Niño” se aproximando em 2027.

Reuters| Marcelo Teixeira e May Angel

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