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A fim de reduzir o uso de derivados do petróleo no processo de extração de óleos vegetais, pesquisadores da USP desenvolveram um equipamento que permite o uso do etanol como solvente para esta finalidade.

O óleo usado na cozinha, seja ele de soja, milho ou girassol, é obtido a partir de um processo que tem entre seus componentes o hexano, um solvente à base de petróleo, tóxico, não renovável e que pode deixar resíduos.

O hexano comercial, usado tradicionalmente na indústria para extração de óleo de sementes oleaginosas, como a soja e o girassol, é uma mistura de hidrocarbonetos, com 65% de hexano normal e 35% de isômeros de ciclopentano e hexano. Durante o processo, ele dissolve o óleo vegetal, que é transportado pelo solvente por todo o equipamento, um processo que dura de 30 minutos até 2 horas. Óleo e solvente ficam em contato e, em cada estágio, a concentração de óleo na mistura aumenta.

De acordo com a professora Alessandra Lopes de Oliveira e sua equipe do Laboratório de Tecnologia à Alta Pressão e Produtos Naturais (LTAPPN) da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga, o novo equipamento, ainda em fase de testes, opera extraindo o óleo vegetal através da pressurização do solvente e de alta temperatura, diferentemente do processo com o hexano, que acontece na temperatura ambiente.

O procedimento, conhecido como processo de Extração com Solvente Acelerado (ASE –Accelerated Solvente Extraction), utiliza uma técnica desenvolvida nos anos 1990 para análise laboratorial de resíduos de pesticidas em solos e casca de vegetais.

“Os resíduos de pesticidas, normalmente, estão em baixas concentrações, por isso que a Dionex [empresa estadunidense] lançou o ASE em escala analítica (ou de laboratório), uma técnica bastante eficiente para extrair o máximo destes compostos”, explica Alessandra.

Ainda segundo a pesquisadora, é a pressão elevada utilizada no processo que permite ao solvente se difundir melhor pela matriz e, além disso, o mantém em estado líquido. Sem a alta pressão, nas condições de temperaturas elevadas utilizadas no processo, o etanol se transformaria em vapor e não teria a mesma eficiência de solubilização que o óleo no estado líquido.

Outra vantagem que o equipamento desenvolvido pelo LTAPPN apresenta é seu sistema de operação não contínuo que trabalha em ciclos ou “em batelada”. Esse processo intermitente garante considerável economia de solvente e rapidez.

Na extração, o volume de solvente é subdividido pelo número de até cinco ciclos, o que permite extrair todo o composto da matriz com o mínimo de solvente possível em curto período de tempo. Um processo com cinco ciclos de 10 minutos, por exemplo, tem duração da extração de aproximadamente 50 minutos.

Com o novo equipamento em escala piloto, os pesquisadores pretendem oferecer uma tecnologia economicamente viável para o emprego dessa técnica em escala industrial. Além da obtenção dos óleos usados na cozinha, Alessandra aponta também a possibilidade de seu uso na obtenção mais rápida de extratos de plantas para fins terapêuticos, como as tinturas que, segundo a Farmacopeia Brasileira, são obtidas em períodos superiores a 24 horas.

Os testes já conseguiram extrair óleos de soja, girassol, caroço de pequi e castanha-do-brasil. Os próximos passos do laboratório envolvem a realização da avaliação econômica do equipamento e o estudo contínuo do aumento da escala de produção.

“Chega de produzir óleo de soja com hexano, que é tóxico”, enfatiza Alessandra. “Nosso papel, como engenheiros de Alimentos, é desenvolver tecnologias limpas e eficientes, necessárias à produção de alimentos seguros para a saúde humana.”

Com informações da USP

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