Alta de mais de 12% no WTI reacende expectativa de maior produção de etanol o que deve reduzir o açúcar
Os preços do açúcar encerraram a última sexta-feira em forte alta, impulsionados pela disparada das cotações do petróleo. O contrato do petróleo WTI avançou mais de 12% no dia, alcançando o maior nível em dois anos e meio, movimento que tende a favorecer os preços do etanol e pode levar usinas ao redor do mundo a direcionarem uma parcela maior da moagem de cana para a produção do biocombustível em detrimento do açúcar, reduzindo a disponibilidade da commodity no mercado.
O contrato do açúcar bruto com vencimento em maio subiu 2,8%, para 14,10 centavos de dólar por libra-peso na sexta-feira. Ainda assim, registrou uma perda de 1,4% na semana. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco subiu 2%, para US$ 414,50 a tonelada.
Apesar do suporte recente vindo da energia, o mercado ainda convive com projeções de superávit global de açúcar para as próximas safras. Em 12 de fevereiro, os preços da commodity chegaram a atingir mínimas de 5,25 anos nos contratos mais próximos, refletindo preocupações com a continuidade de excedentes na oferta mundial.
De acordo com analistas da trading de açúcar Czarnikow, a safra global 2026/27 pode registrar um superávit de 3,4 milhões de toneladas, após um excedente estimado em 8,3 milhões de toneladas no ciclo 2025/26.
Avaliações de outras consultorias apontam na mesma direção. Segundo a Green Pool Commodity Specialists, o mercado global deve apresentar superávit de 2,74 milhões de toneladas na temporada 2025/26 e um excedente mais modesto de 156 mil toneladas na safra 2026/27. Já a StoneX projeta um saldo positivo de 2,9 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26.
Dados divulgados pela Organização Internacional do Açúcar (ISO) também indicam retorno do excedente global. Em relatório recente, a entidade estimou um superávit de 1,22 milhão de toneladas na safra 2025/26, abaixo da previsão anterior de 1,63 milhão de toneladas. O resultado vem após um déficit de 3,46 milhões de toneladas registrado no ciclo 2024/25.
Segundo a ISO, o aumento da produção em países como Índia, Tailândia e Paquistão é o principal fator por trás da recomposição da oferta global. A entidade projeta crescimento de 3% na produção mundial de açúcar em 2025/26, atingindo 181,3 milhões de toneladas.
Produção no Brasil
Sinais recentes de menor produção no Brasil também vêm dando suporte às cotações. De acordo com dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção de açúcar no Centro-Sul na segunda quinzena de janeiro caiu 36% em relação ao mesmo período do ano anterior, somando apenas 5 mil toneladas.
No acumulado da safra 2025/26 até janeiro, entretanto, a produção de açúcar da região ainda apresenta leve crescimento de 0,9% na comparação anual, alcançando 40,24 milhões de toneladas.
A participação da cana destinada à produção de açúcar também aumentou na temporada atual. Segundo a entidade, o mix açucareiro atingiu 50,74% da moagem em 2025/26, acima dos 48,14% registrados na safra anterior.
Com informações da Barchart