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Petróleo pressiona açúcar bruto, mas mercado segue sustentado por clima na Índia e maior produção de etanol no Brasil

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Os contratos futuros do açúcar encerraram a quinta-feira (2) sem direção única nas bolsas internacionais. O açúcar bruto, negociado em Nova York, fechou cotado a 14,85 cents de dólar por libra-peso, com queda de 0,93%. Já o açúcar branco, na ICE de Londres, encerrou praticamente estável, a US$ 483,10 por tonelada, após atingir durante o pregão a máxima de US$ 490 por tonelada, o maior patamar em cerca de nove meses e meio. Segundo a Barchart, a fraqueza do petróleo limitou os ganhos do mercado, enquanto a valorização acumulada ao longo da semana continuou sendo sustentada pelas preocupações com a safra indiana.

A pressão sobre o açúcar veio da forte queda do petróleo. O barril do WTI recuou ao menor nível em cerca de quatro meses e meio, reduzindo a atratividade econômica da produção de etanol. Com isso, aumenta a possibilidade de que usinas direcionem uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar, ampliando a oferta global da commodity.

Apesar desse fator baixista, o mercado segue sustentado pelas preocupações com o clima na Índia. O açúcar bruto chegou a renovar a máxima de sete semanas na quarta-feira, enquanto o açúcar branco atingiu o maior nível para o contrato mais próximo em aproximadamente nove meses e meio durante a sessão desta quinta-feira.

O principal suporte para as cotações continua sendo o clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.

De acordo com a Barchart, o Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas acumuladas das monções estavam 38% abaixo da média até 1º de julho. Além disso, o Ministério de Ciências da Terra do país alertou que a temporada de monções deste ano pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos, cenário que pode reduzir a produtividade dos canaviais e a oferta de açúcar.

Produção de etanol no Brasil reforça cenário de suporte

Outro fator de sustentação para os preços continua sendo o mercado brasileiro.

Dados da UNICA, citados pela Barchart, mostram que a produção de açúcar no Centro-Sul acumulada até maio alcançou 6,838 milhões de toneladas, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período da safra anterior.

Ao mesmo tempo, o mix de produção segue favorecendo o etanol. A participação da cana destinada ao açúcar caiu para 41,42%, ante 50,09% na temporada passada, enquanto a parcela direcionada ao etanol aumentou para 58,38%, frente aos 49,91% registrados no ciclo anterior.

Esse cenário levou a consultoria Czarnikow a revisar sua projeção para o balanço global de açúcar da safra 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, refletindo a maior destinação da cana brasileira para a produção de etanol.

El Niño permanece no radar

O mercado também segue monitorando os impactos do fenômeno El Niño sobre a produção mundial de açúcar.

Segundo a Barchart, a agência meteorológica do Japão confirmou a formação do fenômeno no Oceano Pacífico equatorial. A expectativa é de redução das chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.

Além disso, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 67% de probabilidade de ocorrência de um “Super El Niño” neste ano, aumentando o risco de impactos sobre a produção global de açúcar caso as condições climáticas adversas persistam.

Com informações da Barchart

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Episódio 24: A irrigação será indispensável para o futuro da cana-de-açúcar?

Episódio 23: O etanol de milho pode mudar o futuro das usinas brasileiras?

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