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Os contratos futuros do açúcar fecharam em baixa na última sexta-feira (12) nas bolsas internacionais, depois de terem batido a máxima de 4 anos no meio da semana. Segundo operadores, o mercado foi afetado na última semana pela dificuldade da Índia em exportar seus estoques excedentes, o que contribuiu para o aperto do mercado físico no curto prazo.

Em Nova York, o contrato com vencimento em março/21 fechou em 16,38 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 17 pontos no comparativo com a véspera. Já a tela para maio/21 foi vendida em 15,64 cts/lb, 15 pontos a menos que o dia anterior. Os demais contratos recuaram entre 2 e 12 pontos.

Já na ICE de Londres, que comercializa o açúcar branco, a queda do vencimento março/21 foi de 40 cents de dólar, com a tonelada negociada em US$ 469,60. O vencimento maio/21 foi firmado em 452,60 dólares a tonelada, recuo de 3,40 dólares. Os demais contratos desvalorizaram entre 2,10 e 2,70 dólares.

Segundo a agência Reuters, operadores disseram que as entregas de açúcar branco atingiram 500 mil toneladas, com a trading asiática Wilmar sendo citada como a maior recebedora, com cerca de 400 mil toneladas.

Em sua análise semanal do mercado de açúcar, o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa destacou que “sem que houvesse nenhuma mudança reveladora nos fundamentos do mercado de açúcar, o contrato futuro de março/21 em NY chegou a negociar acima dos 17 centavos de dólar por libra-peso na semana, deixando muitos traders boquiabertos e acionando coberturas de calls (opções de compra) vendidas à descoberto com o preço de exercício ao redor desse nível, por parte dos operadores mais assustados”.

“Parece-nos que o março/21 foi impulsionado por robôs e algoritmos objetivando potencializar a margem de rolagem dos fundos que estão comprados no março e que, com a aceleração artificial, desfazem da compra do contrato com vencimento para março e recompram o contrato com vencimento para maio apresentando ganho significativo no portfólio. Os fundos devem ter rolado grande parte de suas posições (alguns simplesmente liquidaram suas posições e realizaram lucros). Depois do trabalho feito, o vencimento março/21 fechou exatamente no mesmo nível da sexta-feira passada”, destacou Corrêa.

O diretor da Archer ainda destacou que com a economia mundial severamente afetada pela pandemia, é natural que os consumidores industriais apenas comprem seus insumos da mão para a boca. “Esse comportamento pode explicar parcialmente a corrida dos usuários finais para cobrirem suas necessidades de matéria prima no curtíssimo prazo. Em resumo, muitos importadores adiaram suas compras e agora se veem obrigados a pagar o preço para refazer estoques”.

“Não podemos fechar os olhos ao fato de que a safra 21/22 que se inicia logo mais vai priorizar novamente a produção de açúcar. O levantamento da Archer Consulting indica que o Centro-Sul deverá produzir 578 milhões de toneladas de cana, uma redução de quase 4% em relação à safra anterior. Nossa estimativa de produção é de 35.3 milhões de toneladas de açúcar uma redução de três milhões de toneladas comparativamente à 20/21 e uma produção menor de etanol, cujo total deve chegar à 27.4 bilhões de litros, quase 2 bilhões de litros a menos que o ano passado. Desse total, estimamos 2.4 bilhões de litros de etanol de milho”, apontou a Archer.

Mercado doméstico

Pelo 9º dia seguido o Indicador Cepea/Esalq, da USP, para o açúcar cristal, fechou em baixa na última sexta-feira (12). O açúcar foi negociado pelas usinas em R$ 104,92, recuo de 0,73% no comparativo com os preços praticados na véspera.

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