Desvalorização do petróleo aumenta expectativa de maior produção de açúcar, enquanto StoneX eleva projeção de déficit mundial para a safra 2026/27
Os contratos futuros do açúcar encerraram a sessão desta terça-feira (28) em queda nas bolsas internacionais, pressionados pelo forte recuo das cotações do petróleo. A desvalorização da commodity reforçou a expectativa de que usinas direcionem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, em detrimento do etanol, ampliando a oferta global do adoçante.
Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em outubro fechou cotado a 14,57 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,21%. Em Londres, o contrato para outubro do açúcar branco recuou 0,35%, encerrando o pregão a US$ 456,70 por tonelada.
Segundo análise da Barchart, a pressão sobre o mercado foi intensificada pelo tombo das cotações do petróleo. O contrato do WTI acumulou queda superior a 11% em apenas dois pregões, movimento que tende a reduzir a competitividade do etanol e estimular uma maior destinação da cana para a fabricação de açúcar.
As perdas, no entanto, foram limitadas após a StoneX revisar para baixo sua projeção para o balanço global de açúcar na safra 2026/27. A consultoria passou a estimar um déficit de 1,7 milhão de toneladas, ante previsão anterior de 550 mil toneladas, divulgada em maio.
Outro fator que continua influenciando as cotações é a melhora das condições climáticas na Índia. De acordo com o Departamento Meteorológico do país, o déficit acumulado das chuvas de monções caiu para 16% até 27 de julho, avanço significativo em relação aos 42% registrados no fim de junho. A recuperação das precipitações reforça as perspectivas de uma produção maior de açúcar pelo segundo maior produtor mundial.
Apesar disso, o mercado segue atento aos riscos associados ao fenômeno El Niño. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) avalia que o evento, que se consolidou no mês passado, pode se tornar um dos mais intensos dos últimos 75 anos, elevando o risco de redução das chuvas no Brasil, Índia e Tailândia, os três maiores produtores globais de açúcar.


