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Queda na produção de cana-de-açúcar em Goiás vai impactar preço do etanol

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Foto Canavial/Ilustrativa (Crédito: Orplana)
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Um dos motivos será a queda na área de plantio e colheita e menor produtividade

O estado de Goiás, que se mantém como o quarto maior produtor de grãos do Brasil, assim outras regiões do país, enfrenta uma redução nas projeções de produção e colheita da safra 2024/25. Além da queda na previsão da safra de cereais, leguminosas e oleaginosas, que deverá ser 4,5% menor do que a de 2023, a estimativa para a produção de cana-de-açúcar também sofreu queda significativa devido à diminuição da área plantada e menor produtividade dos canaviais. A expectativa é de uma redução de 2,1% ou 15 milhões de toneladas. A projeção é do IBGE.

Com a expectativa de chuvas mais tardias e menor volume de precipitação, o engenheiro agrônomo Ênio Fernandes, afirmou ao jornal O Hoje, que a tendência é de uma safra com produtividade reduzida para o próximo ano. “Estamos falando não apenas de Goiás, mas de uma situação que se repete em Minas Gerais e São Paulo, que responde por 60% da produção de cana no Brasil. A projeção é de uma queda generalizada na produção”, disse em entrevista.

Esse cenário acende um sinal de alerta para o mercado de etanol. Com a expectativa de uma produção menor de cana, os preços do etanol podem aumentar, impactando diretamente o consumidor final. “O preço do açúcar influencia diretamente a decisão das usinas. Se os preços internacionais do açúcar se mantiverem elevados, as usinas podem priorizar a produção de açúcar em detrimento do etanol, o que pode agravar a situação”, explica Fernandes.

Além disso, a demanda por etanol está intimamente ligada ao crescimento econômico. Projeções do Boletim Focus do Banco Central indicam um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 1,5% a 2% para 2024. “Isso significa que a demanda por etanol pode não crescer como o esperado, limitando ainda mais a produção”, complementa.

Quando se observa o cenário do agronegócio como um todo, as perspectivas se mostram diversas e desafiadoras, segundo o especialista. Embora a pecuária de corte esteja vivendo um momento difícil, com altas nos preços da arroba do boi, outras culturas, como milho e soja, enfrentam dificuldades que impactam a rentabilidade dos produtores. “Os preços do milho e da soja estão sob pressão, e muitos produtores estão enfrentando margens muito apertadas. Isso poderá dificultar a capacidade deles de honrar compromissos financeiros”, destaca.

Culturas estão sob pressão do clima

Segundo Fernandes, apesar de algumas culturas estarem se saindo bem, como a laranja, a situação geral do agronegócio em Goiás é preocupante. “É um quadro misto. Temos culturas que vão bem, mas as principais, como cana-de-açúcar e soja, estão sob pressão. Isso afetará a rentabilidade da maioria dos produtores”, afirmou ao jornal O Hoje.

Com a safra de cana-de-açúcar prestes a começar, a expectativa é de que o clima desempenhe um papel crucial nos próximos meses. “Se tivermos um clima favorável, com chuvas adequadas e temperaturas altas, há potencial para uma recuperação. Porém, a realidade atual aponta para uma safra menor”, afirma.

O engenheiro agrônomo reitera que diante desse cenário, a necessidade de adaptação e planejamento estratégico se torna essencial para os produtores, visando não apenas a sobrevivência em um ambiente desafiador, mas também a sustentabilidade do agronegócio em Goiás. As incertezas climáticas e as dinâmicas de mercado exigem um olhar atento e ações proativas para minimizar os impactos e garantir a estabilidade do setor.

Com informações do jornal O Hoje
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