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Falta de chuvas durante 2020, impactos causados pelos incêndios e menor índice de renovação de canaviais, tanto de plantio de cana de ano, como de ano e meio, são alguns dos fatores que deverão reduzir a oferta de cana-de-açúcar na safra 2021/22 do Centro-Sul do Brasil, que se inicia a partir de março deste ano.

O diretor técnico da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar), Antônio de Pádua Rodrigues, acrescenta ainda que a substituição da cultura da cana-de-açúcar por outras culturas, diante da dificuldade de expansão em novas áreas pelo custo do arrendamento também explicam a queda da moagem no ciclo que 2021/22.

“Além disso, dependendo do clima no decorrer da safra 2021/22, dificilmente vamos ter mais uma safra com um bom ATR como tivemos nesta”, adiciona Rodrigues.

Na safra 2020/21 houve um incremento de mais de 12 milhões de t de açúcar, provocada pelo incremento da oferta de cana de 15 milhões e pelo aumento de quase 6 Kg de ATR por tonelada de cana, além da otimização da capacidade instalada na produção de açúcar desde o início da safra. Mesmo com esse incremento a safra ainda foi mais alcooleira, dado que 54% da cana processada foi para a produção de etanol.

Isso dificilmente irá se repetir na safra 2021/22, de acordo com Rodrigues, por conta da redução na oferta de cana e na quantidade de produtos.

“Essa redução pode ser superior a 3 milhões de t dependendo dessa combinação. Não temos informações de expansão na capacidade de produção de açúcar para a próxima safra”, afirma o diretor técnico da Unica.

A demanda por combustíveis do ciclo otto tem se recuperado, mas ainda é inferior ao mesmo período de 2020. Rodrigues acredita que haverá um incremento de demanda quando houver o início da vacinação contra a Covid-19, que inicia a partir de hoje, 18, em todo Brasil.

Quanto aos preços do petróleo, a expectativa do setor é de que a Petrobras continue com os preços parametrizados com o mercado internacional.

“O resultado da safra 2020/21 foi positivo e devemos manter um cenário favorável para a próxima safra. Grande parte do açúcar de 2021/22 já foram fixados dado um cenário favorável para o adoçante”, afirma Rodrigues.

Quanto a recuperação das usinas em maior dificuldade financeira, o diretor técnico da Unica afirma que diante da heterogeneidade do segmento, a recuperação dependerá muito da previsibilidade que é dada pela nova política do RenovaBio.

“Essa recuperação depende muito também do aumento da produtividade. Temos o potencial para termos canaviais de mais de 100 t de cana por tonelada com a tecnologia atual e com o uso das novas variedades com maior potencial produtivo”, observa.

Primeiro ano de RenovaBio

A safra 2020/2021 teve como o principal avanço a bem-sucedida implantação da Política Nacional de Biocombustíveis – RenovaBio. Segundo dados da Unica, divulgados recentemente, atualmente, 65% das empresas produtoras de etanol no país participam do programa e estão certificadas e aptas a emitirem créditos de descarbonização (CBios) – essas empresas representam cerca de 85% da produção nacional de etanol.

Até dia 11 de dezembro de 2020 foram registrados mais de 17 milhões de CBios e mais de 80% dos títulos haviam sido adquiridos para o cumprimento das metas pelas distribuidoras. A Unica estima que até 31 de dezembro a soma de CBios gerados deve chegar a 18 milhões. Na safra 2020/2021, que vai até 31 de março, esse número pode atingir 23 milhões.

O diretor técnico da Unica considera que o primeiro ano do RenovaBio foi um sucesso, apesar dos percalços que surgiram acerca da redução das metas por conta da pandemia e ações judiciais por algumas distribuidoras. Ainda de acordo com ele, foi um ano de aprendizado para todos os envolvidos. Pelos produtores no preenchimento da planilha do RenovCalc, pelas certificadoras, pela ANP em sua regulação e no processo comercial dos agentes e na B3.

“Os produtores ofertaram 25% a mais das metas que eram obrigatórias, já gerando um saldo superior a 3,5 milhões de Cbios para 2021. Já a parte obrigada (distribuidoras) aposentou 98% de suas metas. Estamos em plena negociação com os fornecedores para que haja um repasse de uma parte do valor dos Cbios da cana para eles devido a venda de etanol carburante para o mercado interno. Para o ano de 2021, mais uma vez, a oferta deverá superar as metas de 24,86 milhões para ano”, revela Rodrigues.

Por: Natália Cherubin 

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