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O resumo da safra atual de cana é: menos cana, preços maiores. Os estoques serão durante toda a safra relativamente baixos e o resultado econômico-financeiro desta situação é favorável ao produtor.

“E se o Governo não intervier, será melhor para todos”, diz Julio Maria M. Borges, sócio-diretor da JOB Economia e Planejamento.

O clima adverso com seca e geada foi o responsável pela redução prevista de rendimento agrícola da lavoura de cana do Centro-Sul, que será de 13,4% de acordo com a previsão da consultoria.

“Tem algumas regiões de São Paulo com quebra da ordem de 20%. Estamos considerando para o Centro-Sul um rendimento de 68 t por hectare. A redução de moagem de cana prevista é de 72 milhões de t no Centro-Sul: total de 533 milhões de t contra 605 milhões de t na safra passada.  Nada desprezível”, afirma Borges.

No Nordeste a previsão é de uma safra próxima a 2020/21. E isto vale para cana, açúcar e etanol. Segundo Borges,  o clima na região tem sido mais normal e reflete em alguma medida os efeitos do La Niña.

“O NNE nas últimas safras tem feito mais movimentos de aumento de eficiência do que de aumento de produção.”

Produção de açúcar terá redução

A menor produção de açúcar no Centro-Sul está estimada em  33,4 milhões de t, com redução prevista sobre a safra passada de 5 milhões de t.

“Como consequência disto vemos uma redução significativa em nossas exportações do produto, também desta ordem de grandeza. Isto compensa boa parte do aumento de exportações da safra passada que foi pouco acima de 12 milhões de t”, afirma o consultor.

Como o Brasil representou no ano passado pouco mais de 50% das exportações mundiais de açúcar a consequência natural da redução da safra atual foi um aumento significativo nos preços.

O preço médio do açúcar em NY no período Abril-Agosto passou de 11,4 ¢/lb para 17,4 ¢/lb em 2020 e 2021, respectivamente. A taxa de câmbio no período ficou relativamente estável em torno de 5,30 R$/US$. Ou seja, o preço aumentou 52% no período Abril-Agosto e a produção deve cair 13%.

Etanol: redução de mais de 2 bilhões

No caso do etanol a situação é semelhante à do açúcar. A grande diferença é que neste caso a influência nos preços dos mercados internacionais de petróleo e gasolina é nenhuma.

A produção prevista de etanol de cana no Brasil é de 27,4 bilhões de litros, o que representa uma redução de 2,6 bilhões de litros (8,7%) em relação à safra passada.

Segundo Borges, a redução vai se concentrar exclusivamente no etanol hidratado, usado diretamente no tanque do veículo. A produção de etanol anidro, misturado na gasolina em 27%, será ligeiramente maior que aquela da safra passada, pois o consumo de gasolina será maior em decorrência do menor consumo de etanol hidratado.

Já a produção de etanol de milho mantém sua trajetória de aumentos anuais vigorosos de produção e prevemos, neste caso, um aumento de produção de cerca de 1 bilhão de litros.

Quanto a preços, estes também são bem superiores àqueles da safra passada. O suporte para isto vem do petróleo relativamente caro, do câmbio desvalorizado e da restrição de oferta.

No período Abril-Agosto o preço médio do etanol hidratado na usina, líquido de impostos, está em 2,89 R$/litro contra 1,56 R$/litro no mesmo período do ano passado. Ou seja, um aumento de 85% de aumento.

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