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Safra 2026/27 deve recuperar produtividade, elevar moagem e reequilibrar mix no Centro-Sul

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A safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil deve marcar uma retomada dos principais indicadores agrícolas e industriais, com impacto direto sobre a moagem e o mix de produção. As estimativas do Pecege apontam processamento de 629,4 milhões de toneladas, avanço de 3,31% em relação à safra 2025/26, que foi marcada por perda de produtividade e retração na oferta de matéria-prima.

Os dados constam no relatório Radar Compara, da Pecege Consultoria e Projetos, que indica um movimento de recuperação após um ciclo pressionado principalmente por fatores climáticos. Na safra 2025/26, a moagem foi estimada em 609,2 milhões de toneladas, queda de 2,04% frente às 621,9 milhões de toneladas registradas em 2024/25. Ao longo do ciclo, o volume acumulado permaneceu abaixo da safra anterior, encerrando março em 603,7 milhões de toneladas, contra 617,3 milhões no mesmo período do ciclo precedente, evidenciando o impacto negativo sobre a oferta.

A decomposição da moagem mostra que a retração em 2025/26 foi fortemente influenciada pela queda da produtividade agrícola, responsável por uma redução de 26,1 milhões de toneladas no volume processado, parcialmente compensada pela expansão de área. Para a safra 2026/27, o movimento se inverte: a recuperação do TCH deve adicionar 16,3 milhões de toneladas, enquanto o avanço da área colhida contribui com mais 3,9 milhões de toneladas, explicando a retomada do crescimento.

A produtividade agrícola deve atingir 76,54 t/ha, alta de 2,67% frente às 74,55 t/ha da safra 2025/26, embora ainda abaixo dos 77,78 t/ha observados em 2024/25. A análise dos componentes do TCH indica que a queda no ciclo anterior foi influenciada principalmente por efeitos climáticos, enquanto a recuperação projetada para 2026/27 reflete melhora dessas condições, ainda que com impacto residual de idade do canavial.

A área colhida segue em expansão moderada, alcançando 8,22 milhões de hectares, crescimento de 0,62% sobre a safra anterior. O avanço, embora mais contido, mantém a trajetória de crescimento da base produtiva e reforça o ganho de moagem no próximo ciclo.

Eficiência agrícola e qualidade da cana sustentam recuperação

Além do volume, os indicadores de eficiência mostram melhora relevante. O ATR total deve atingir 87,4 milhões de toneladas, alta de 4,04% frente às 84,0 milhões de toneladas da safra 2025/26, enquanto o ATR médio avança para 138,94 kg/t, recuperação de 0,71% após queda no ciclo anterior.

A relação entre produtividade e qualidade também se reflete no indicador de toneladas de ATR por hectare (TAH), que evidencia maior eficiência na conversão agrícola-industrial ao longo do tempo, reforçando a consistência do sistema produtivo mesmo em cenários de volatilidade climática.

Na comparação histórica, os indicadores da safra 2026/27 se aproximam das médias de longo prazo do Centro-Sul — cerca de 592 milhões de toneladas de moagem, 76,8 t/ha de produtividade e 138,3 kg/t de ATR — indicando normalização após o desvio negativo observado em 2025/26.

Mix volta ao etanol, mas produção de açúcar se mantém elevada 

Após uma safra 2025/26 mais açucareira, a safra 2026/27 deve registrar uma reconfiguração no mix. O direcionamento para o etanol volta a ganhar espaço, com participação estimada em 51,63% do ATR, avanço de 2,17 pontos percentuais frente aos 49,47% do ciclo anterior.

Em sentido oposto, o mix de açúcar recua para 48,37%, após atingir 50,53% em 2025/26, movimento que reflete a recomposição da estratégia produtiva das usinas.

Mesmo com a mudança no mix, a produção de açúcar permanece em patamar elevado, estimada em 40,3 milhões de toneladas, leve recuo de 0,42% em relação às 40,47 milhões de toneladas da safra 2025/26.

Já o etanol apresenta recuperação mais consistente. A produção de etanol de cana deve alcançar 26,5 bilhões de litros, avanço de 8,54% frente aos 24,41 bilhões de litros do ciclo anterior, que havia sido impactado pela menor disponibilidade de matéria-prima.

O crescimento é puxado principalmente pelo etanol anidro, com 10,37 bilhões de litros (+12,82%), enquanto o hidratado deve atingir 16,13 bilhões de litros, alta de 5,95%.

Os dados do Pecege mostram que, no conjunto, a safra 2026/27 indica um cenário de recomposição dos fundamentos do setor no Centro-Sul, com recuperação da produtividade, melhora na qualidade da cana e maior disponibilidade de matéria-prima, permitindo às usinas maior flexibilidade na definição do mix e retomada da produção de biocombustíveis.

Natália Cherubin para RPAnews

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