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Safra 2026/27 deve ser uma das mais desafiadoras, com queda do ATR e margens mais apertadas

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Projeções do Rabobank e da StoneX indicam pressão simultânea de preços baixos, câmbio e aumento da oferta de etanol.

A safra 2026/27 se desenha como uma das mais desafiadoras dos últimos anos. A combinação entre preços internacionais em mínimas recentes, aumento expressivo da oferta de etanol e projeções de queda no ATR tende a apertar a rentabilidade de usinas e produtores, mesmo com a expectativa de recuperação da produtividade em relação ao ciclo atual.

Segundo análises de Rabobank e StoneX, o setor entra num ambiente de margens comprimidas, ancorado por açúcar mais barato, câmbio menos favorável e competitividade crescente do etanol de milho. A visão geral é de que o mercado deverá operar sob pressão, tanto no açúcar quanto no biocombustível.

Andy Duff, estrategista Global de Açúcar e Álcool do Rabobank, avalia que uma safra grande no Centro-Sul tende a limitar movimentos de alta nas cotações internacionais e, ao mesmo tempo, ampliar a oferta doméstica de etanol. “O preço internacional de açúcar continuará na faixa atual, enquanto a oferta doméstica de etanol deveria aumentar significativamente, sinalizando uma pressão nos preços.”

Duff acrescenta que, embora um volume maior possa diluir parte dos custos fixos, não seria suficiente para compensar a queda de preços, e que, para 2026/27, o preço do etanol deve se somar aos fatores que já pressionam 2025/26 — o preço de açúcar internacional, o câmbio e os juros.

A StoneX compartilha essa percepção. O analista Rafael Borges destaca que o mercado já sente o impacto da queda das cotações internacionais, lembrando que os preços na casa dos R$ 15/lb (ou até abaixo dela) reduziram expressivamente a receita das usinas frente aos números de 2024. Segundo ele, a consultoria espera uma oferta recorde de etanol na próxima safra, ultrapassando 36 bilhões de litros. “As margens do etanol de milho podem ser mais de 3 vezes superiores ao etanol de cana.”

Os custos agrícolas permanecem como ponto de alerta. Borges afirma que o custo elevado do plantio na safra atual pode inclusive ter inibido em alguma medida as renovações do canavial. Quanto ao câmbio, ele lembra que a valorização do real tem efeito ambíguo: reduz o custo de insumos importados, mas reduz a remuneração do açúcar brasileiro em reais.

Duff destaca que o setor é heterogêneo, mas que parte das empresas chega ao ciclo em situação mais sólida após anos de preços favoráveis. Segundo ele, a recente fase positiva permitiu “uma desalavancagem significante, além de investimentos em flexibilidade, produtividade e diversificação”, o que dá mais resistência a determinados grupos.

Já Borges alerta que, com preços internacionais abaixo de US¢ 15/lb, muitas unidades podem entrar em território negativo. Sobre o etanol, ele projeta que no pico da safra o biocombustível será negociado próximo ou abaixo dos R$ 3,00/L, base Ribeirão Preto, o que coloca diversas operações próximas do “zero a zero”.

Entre os fornecedores de cana, o impacto também será sentido. Duff estima que o Consecana-SP para 2026/27 deve ficar entre “R$ 1,00 – R$ 1,05 por quilo ATR”, patamar considerado de queda relevante, embora melhorias no campo — produtividade e ATR por tonelada — possam compensar parte da perda.

A fixação de preços para 2026 segue lenta. De acordo com Duff, a combinação entre queda das cotações em Nova York e valorização do real “pegou o setor inteiro por surpresa”, levando os preços oferecidos para fixações a níveis “não vistos nos últimos 5 anos”. Borges acrescenta que há cautela, mas também expectativa, e lembra que a paralisação do governo dos EUA impede o acompanhamento da posição dos fundos — um fator que adiciona incerteza ao mercado.

Nos investimentos, Duff avalia que o replantio e os tratos culturais são compromissos “não-discricionários”, enquanto projetos de expansão e diversificação tendem a ser adiados. Borges reforça que a taxa de juros atual “mostra-se como um importante impeditivo para novos aportes”.

Para fusões e aquisições, Duff observa um descompasso maior entre expectativas de preço de compradores e vendedores, afirmando que a diferença entre as ideias de preço/valor cresce em momentos de maior instabilidade. A StoneX não se manifestou sobre o tema.

No mercado internacional, o Rabobank não vê sinais de recuperação relevante no curto prazo e projeta leve desvalorização do Real contra o dólar (para R$ 5,55/USD até o final de 2025, e R$ 5,70 até o final de 2026). A StoneX também trabalha com fundamentos baixistas, mas Borges aponta potenciais fatores de suporte, como a possibilidade de virada do mix açucareiro para etanol, a saída do Brasil do mercado de exportações no 1° tri de 2026, a possibilidade de déficit no trade flow global e a eventual virada da posição dos fundos.

Para Duff, eventos inesperados nas grandes origens podem alterar rapidamente o comportamento do mercado. “Algo inesperado com clima ou safra em Brasil, Índia ou Tailândia poderia mudar o humor do mercado.” Borges reforça que o andamento das safras do hemisfério norte e o regime de chuvas na entressafra brasileira serão determinantes para a formação dos preços nos próximos meses.

Natália Cherubin para RPAnews

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