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Safra de cana pode ser a 2ª maior da história, com 705,2 milhões de t

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Conab projeta crescimento de 4,7% na produção; fabricação de açúcar deve cair 2,9%, enquanto produção total de etanol avança 11,7%

A produção brasileira de cana-de-açúcar na safra 2026/27 está estimada em 705,2 milhões de toneladas, crescimento de 4,7% em relação às 673,3 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. Se confirmado, o volume representará a segunda maior safra da série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), iniciada em 2005/06, segundo o 2º Levantamento da Safra de Cana-de-Açúcar 2026/27.

A área destinada à colheita é estimada em 9,05 milhões de hectares, alta de 1,1% frente à temporada passada. Já a produtividade média nacional deverá crescer 3,6%, passando de 75.188 kg/ha para 77.905 kg/ha. De acordo com a Conab, o aumento está relacionado às condições climáticas registradas desde o início do ciclo, que favoreceram as lavouras.

A maior produção de cana deverá ocorrer acompanhada de redução na fabricação de açúcar e aumento na de etanol. A Conab estima 42,89 milhões de toneladas de açúcar, queda de 2,9% em relação à safra 2025/26. A produção de etanol a partir da cana, por sua vez, deverá alcançar 29,98 bilhões de litros, crescimento de 9,7%. Considerando também o combustível produzido a partir do milho, a produção nacional de etanol é projetada em 41,88 bilhões de litros, alta de 11,7%.

Na comparação com o primeiro levantamento da atual safra, a projeção para a fabricação de açúcar foi reduzida em 1,07 milhão de toneladas, de 43,95 milhões para 42,89 milhões de toneladas, uma revisão de 2,4%. Para o etanol de cana, a estimativa foi elevada em cerca de 717 milhões de litros, ou 2,5%, passando de 29,26 bilhões para 29,98 bilhões de litros.

Sudeste deve colher 451,4 milhões de toneladas

Principal região produtora de cana-de-açúcar do país, o Sudeste deverá colher 451,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume 5% superior ao registrado no ciclo anterior. A área destinada à colheita está estimada em 5,58 milhões de hectares, crescimento de 0,4%, enquanto a produtividade média deverá atingir 80.872 kg/ha, alta de 4,6%.

São Paulo deverá responder por 362,8 milhões de toneladas, alta de 4,3% frente à safra passada. A área paulista é estimada em 4,43 milhões de hectares, redução de 0,2%, enquanto a produtividade deverá crescer 4,5%, para 81.980 kg/ha.

Segundo a Conab, o monitoramento agroclimático mostra boas condições para a cultura no estado, embora as chuvas atípicas registradas em junho tenham afetado o andamento da colheita. As precipitações acima da média em maio e junho prejudicaram o corte e comprometeram o cronograma das unidades, com possibilidade de a moagem se estender até meados de dezembro.

As chuvas também prolongaram o crescimento vegetativo e retardaram a maturação dos canaviais, reduzindo a concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR). Diante desse cenário, as unidades intensificaram o uso de maturadores para favorecer o acúmulo de açúcares e adequar a qualidade da matéria-prima ao cronograma de colheita.

A Conab informa ainda que a redução das cotações internacionais do açúcar levou parte das unidades paulistas a reavaliar o mix de produção, limitando a fabricação do adoçante ao cumprimento de contratos preestabelecidos e direcionando maior volume de cana para a produção de etanol.

Em Minas Gerais, a produção de cana está estimada em 82,5 milhões de toneladas, crescimento de 7%. A área deverá avançar 2%, para 1,06 milhão de hectares, enquanto a produtividade é projetada em 78.092 kg/ha, alta de 5%.

No Centro-Oeste, segunda maior região produtora, a estimativa é de 157 milhões de toneladas, crescimento de 4,6% sobre a safra anterior. A área destinada à colheita deverá chegar a praticamente 2 milhões de hectares, alta de 2%, e a produtividade média está projetada em 78.755 kg/ha, avanço de 2,5%.

Mato Grosso do Sul deverá colher 57,8 milhões de toneladas, aumento de 12,2%. Em Mato Grosso, a estimativa é de 19,5 milhões de toneladas, 5,5% acima da safra anterior. Goiás deverá produzir 79,7 milhões de toneladas, redução de 0,6%.

Na Região Sul, concentrada no Paraná, a produção está estimada em 37,3 milhões de toneladas, alta de 3,6%. A área deverá crescer 1%, para 500,6 mil hectares, enquanto a produtividade deverá avançar 2,5%, para 74.452 kg/ha.

No Norte, a produção deverá alcançar 4,1 milhões de toneladas, aumento de 7,9%. A área destinada à colheita é estimada em 52,7 mil hectares, redução de 0,5%, enquanto a produtividade deverá crescer 8,4%, para 77.516 kg/ha.

No Nordeste, deverão ser colhidas 55,45 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, alta de 4,1%. A área destinada à colheita deverá crescer 3,8%, para 923,5 mil hectares, enquanto a produtividade média é projetada em 60.037 kg/ha, aumento de 0,3%.

Alagoas permanece como o maior produtor nordestino, com estimativa de 18,78 milhões de toneladas, avanço de 3%. Pernambuco deverá colher 13,46 milhões de toneladas, alta de 0,2%, enquanto a Paraíba tem produção prevista de 7,29 milhões de toneladas, crescimento de 5,4%.

Na Bahia, a Conab estima 6,54 milhões de toneladas, alta de 11,4%. O Piauí apresenta aumento de 27,3%, para 1,47 milhão de toneladas, enquanto o Rio Grande do Norte deverá colher 3,72 milhões de toneladas, 3,3% acima da temporada anterior.

Em Alagoas, a Conab aponta redução das chuvas em relação à média histórica como ponto de atenção. Embora as precipitações tenham ocorrido durante vários dias em junho, os volumes ficaram abaixo do padrão em parte das regiões produtoras. A continuidade desse quadro poderá afetar o desenvolvimento final das lavouras e a rebrota das soqueiras. A moagem deverá superar a da safra passada, apesar da expectativa de ATR médio inferior.

Açúcar recua e etanol aumenta

A produção brasileira de açúcar está estimada em 42,89 milhões de toneladas na safra 2026/27, redução de 2,9% em relação às 44,18 milhões de toneladas produzidas no ciclo anterior.

O Sudeste deverá continuar respondendo por mais de 70% da produção nacional. São Paulo tem fabricação estimada em 25,75 milhões de toneladas, redução de 2% na comparação anual. Minas Gerais deverá produzir 5,57 milhões de toneladas, queda de 0,4%.

No Centro-Oeste, a produção deverá alcançar 5,32 milhões de toneladas de açúcar, retração de 9,4%. Goiás deverá produzir 2,93 milhões de toneladas, queda de 5,2%; Mato Grosso do Sul, 1,82 milhão de toneladas, redução de 14,3%; e Mato Grosso, 565 mil toneladas, baixa de 13,5%.

Na comparação com o primeiro levantamento da safra 2026/27, a Conab reduziu em 10,3% sua projeção para a produção de açúcar no Centro-Oeste, de 5,93 milhões para 5,32 milhões de toneladas.

No Nordeste, a fabricação de açúcar está estimada em 3,27 milhões de toneladas, redução de 0,6% frente à safra anterior. Alagoas deverá produzir 1,48 milhão de toneladas, queda de 3,8%, enquanto Pernambuco tem produção prevista de 951,5 mil toneladas, redução de 2,1%.

No Paraná, que concentra a produção da Região Sul, a Conab estima 2,61 milhões de toneladas de açúcar, redução de 8% frente ao ciclo anterior.

Já a produção de etanol a partir da cana deverá atingir 29,98 bilhões de litros, aumento de 9,7%. A fabricação de etanol anidro é estimada em 10,38 bilhões de litros, crescimento de 2,6%, enquanto o hidratado deverá alcançar 19,6 bilhões de litros, alta de 13,9%.

Mais de 90% da produção nacional de etanol está vinculada ao Centro-Sul. São Paulo deverá produzir aproximadamente 13 bilhões de litros de etanol de cana. O Centro-Oeste, considerando também a produção a partir do milho, deverá alcançar 19,83 bilhões de litros, enquanto o Sudeste tem produção estimada em 16,74 bilhões.

Entre os estados, Minas Gerais deverá produzir 3,46 bilhões de litros de etanol de cana, crescimento de 27,5% sobre a safra anterior. Mato Grosso do Sul tem produção estimada em 3,54 bilhões de litros, avanço de 26,6%, enquanto São Paulo deverá alcançar 12,99 bilhões de litros, alta de 4,5%.

A produção de etanol de milho também deverá crescer. A estimativa da Conab é de 11,91 bilhões de litros, alta de 17% sobre a temporada anterior e novo recorde para o biocombustível derivado do cereal.

Do total, 7,04 bilhões de litros deverão corresponder ao etanol hidratado, crescimento de 13,6%, enquanto o anidro deverá atingir 4,86 bilhões de litros, avanço de 22,4%.

O Centro-Oeste deverá produzir 10,46 bilhões de litros de etanol de milho. Mato Grosso aparece com 7,2 bilhões de litros, aumento de 15,2%, enquanto Goiás deverá alcançar 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6%.

No Nordeste, a produção do combustível a partir do cereal está estimada em 1,41 bilhão de litros, alta de 41,2%. O Maranhão deverá produzir 936 milhões de litros e a Bahia, 470 milhões de litros.

Conab aponta efeitos do E32 sobre demanda por etanol

No capítulo dedicado ao mercado, a Conab informa que os preços internacionais do açúcar apresentaram recuperação entre o final de julho e meados de agosto. O contrato Sugar nº 11 passou de patamares próximos de 15 centavos de dólar por libra-peso no fim de julho para 16,6 centavos em meados de agosto, depois de as cotações terem se aproximado de 13,5 centavos por libra-peso em março.

Segundo a Companhia, a recuperação esteve relacionada, entre outros fatores, às expectativas de maior restrição da oferta global, aos riscos climáticos nas principais regiões produtoras e à possibilidade de redução da parcela da cana destinada à produção de açúcar, especialmente no Brasil.

No mercado doméstico, a Conab aponta que a demanda pelo etanol anidro tende a ser favorecida pela elevação do percentual obrigatório de mistura do biocombustível à gasolina, que passou de 30% para 32% no final de julho. De acordo com o boletim, a mudança pode ampliar a demanda pelo produto e os incentivos para o direcionamento da matéria-prima à produção de etanol.

Entre abril e julho da safra 2026/27, o Brasil exportou 9,3 milhões de toneladas de açúcar, volume 13,1% inferior às 10,7 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra anterior. Segundo a Conab, a redução ocorreu em um contexto de menor disponibilidade de açúcar para comercialização externa, associada, entre outros fatores, ao maior direcionamento da cana para a produção de etanol.

As exportações brasileiras de etanol somaram 350,1 milhões de litros entre abril e julho, retração de 20,9% frente aos 442,7 milhões de litros registrados no mesmo período da temporada passada.

No mesmo período, as importações brasileiras de etanol atingiram 22,3 milhões de litros, queda de 79,2% frente aos 107,2 milhões de litros registrados entre abril e julho da safra 2025/26.

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