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Setor sucroenergético: É duro voltar pro “normal”, quando se conhece o que é “bom”

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Há uma onda de pessimismo no setor sucroenergético. Nas minhas andanças pelos canaviais do centro-sul, são frequentes os relatos de quedas de produtividade. E que, infelizmente, não vem acompanhado de aumento de preços. O mercado também esta caindo.

Mas, será que esta tão ruim assim? Será que estamos produzindo muito aquém do que geralmente produzimos? Será que estamos vendendo muito abaixo do que geralmente vendemos?

Fiquei encucado com isso e pedi ao competente time do Pecege Consultoria e Projetos que fizesse um levantamento de produtividade e preços (reais, trazidos a valor presente pela inflação) de um período de 10 a 15 anos atras. O resultado é ilustrado na imagem que segue a postagem.

Produtividade agrícola (TCH): A expectativa do Pecege é que a safra 25/26 feche em torno de 75 t/ha. Queda média de 4% em relação a 24/25. Pode ser mais? Pode. Mas, o ponto não é esse. É quanto estamos diante de um histórico. Ou seja, relativamente, normal. Na ultima década, em apenas duas safras (15/16 e 23/24), nos tivemos produtividades expressivamente acima da média de 77 t/ha. Aliás, eu não estou falando que a média é boa. Estou colocando que estamos produzindo o que sempre produzimos. Em torno das 75 t/ha.

Preços de etanol, açúcar e ATR (Consecana/SP). Estão apresentados no formato de histograma. Trata-se de uma distribuição de frequência. No caso, as barras maiores são onde os preços mais se situaram. As safras identificadas, são os respectivos preços (de novo, reais) de fechamento.

Observe que a 25/26 (pelo menos até então), fica numa posição intermediária dos gráficos. O etanol, bandeando para uma concentração mais altista (2,7 a 2,9 R$/L), especialmente nesse terço final de safra. O açúcar, por sua vez, para um lado mais baixista (16 a 19 cUS$/lp). Neste caso, a volta da produção (também) ao “normal” da Índia e a valorização do real, deram uma cotovelada nos preços para a esquerda do gráfico. E, por fim, o preço do ATR, numa posição intermediária, situando-se entre 1,05 e 1,12 R$/kg ATR. O que é “bom”. Afinal, o preço médio real do Consecana/SP gira em torno de 1,00 R$/kg.

Mas, o que é “bom”? Você concorda que é uma referência? Pra que não tem nada, metade é o dobro. Pois bem, o nosso último “bom” (e esta na nossa última grande referência), foi a safra 2023/24.

A exceção do etanol, que vinha num movimento de recuperação dado pela questão fiscal, tanto o TCH, como os preços do açúcar e ATR, se situaram no extremo direito do gráfico, registrando valores altistas. Aliás, um movimento que vai contra o senso comum da oferta e da demanda. Tivemos recorde de preços, com recorde de produção. Um espetáculo. Realmente, a safra do porta retrato (para que não fazia somente etanol). E que esta na nossa memória recente.

Como a gente fala aqui no interior: Num tá ruim. Mai também num tá bão. Só tá mai ou meno normal.

Mas, que é duro voltar pro normal quando que se conhece o que é bom, é.

 

*João Rosa, o Botão é engenheiro agrônomo e sócio-diretor do Pecege Consultoria e Projetos

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Episódio 22: Como as tecnologias e a IA impactam as operações agrícolas?

Ep. 21: O futuro do setor sucroenergético | Perspectiva para Safra 2026/27

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