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Shell está pronta para maior apoio à Raízen, dizem fontes

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A Shell, parceira da Cosan na joint venture Raízen, está disposta a injetar capital significativo para recapitalizar a empresa e evitar uma recuperação judicial, segundo três pessoas familiarizadas com o assunto.

A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar do mundo e, também, uma importante distribuidora de combustíveis no Brasil, encontra-se em grave situação financeira após registrar um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre de 2025/26.

Em meados de fevereiro, em sua divulgação de resultados, a companhia alertou para uma “incerteza relevante” sobre a capacidade de continuar operando.

A companhia viu sua dívida líquida aumentar exponencialmente, atingindo R$ 55,3 bilhões em 31 de dezembro, após uma infeliz combinação de grandes investimentos, condições climáticas instáveis e incêndios nos canaviais, que levaram a menores rendimentos agrícolas e volumes de moagem reduzidos.

Até a semana passada, a Shell estava disposta a injetar R$ 2,5 bilhões na Raízen, mas desde então indicou que ofereceria até R$ 3,5 bilhões, montante sujeito a certas condições, de acordo com duas das fontes.

No entanto, uma terceira fonte disse que o apoio sugerido pela Shell aumentou nas últimas semanas e que nada estava definido até que um acordo fosse fechado, embora tenha acrescentado que a companhia listada em Londres estava disposta a contribuir com um valor desproporcional à injeção de capital.

A Shell e sua parceira na joint venture, a Cosan, detêm cada uma 44% da Raízen, enquanto 12% das ações permanecem em livre circulação.

A Cosan, que enfrenta seus próprios problemas e está passando por uma reestruturação financeira, poderia contribuir com R$ 1 bilhão, enquanto o presidente do conselho da Raízen, Rubens Ometto – também acionista da Cosan –, poderia fornecer até R$1 bilhão, condicionado a um acordo de financiamento atualmente em negociação, disseram as fontes.

Um credor disse à Reuters que, para reforçar suas finanças, a Raízen precisaria de aproximadamente R$ 25 bilhões, incluindo capital novo e a receita da venda de sua unidade argentina, que deve render cerca de US$ 1 bilhão.

A Shell, a Cosan e Ometto se recusaram a comentar.

No início deste mês, a Raízen nomeou os escritórios de advocacia Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb, juntamente com a Rothschild & Co como consultora financeira, para avaliarem suas alternativas estratégicas e financeiras.

O anúncio provocou rebaixamentos rápidos das classificações de crédito da Raízen por importantes agências, incluindo S&P Global, Fitch e Moody’s.

Em seu relatório, a Moody’s citou a alta alavancagem da empresa e a geração contínua de fluxo de caixa negativo, o alto ônus com juros e os resultados mais fracos do que o normal no segmento principal de açúcar e etanol.

Reuters|Luciana Magalhaes e Oliver Griffin e Sabrina Valle

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