Shell e Rubens Ometto, da Cosan, tinham colocado na mesa uma injeção de R$ 4 bilhões
As negociações entre os acionistas da Raízen e seus credores em Nova York, ocorridas em extensas reuniões nesta semana, ainda não mostraram uma disposição clara dos controladores em fazer um aporte maior do que o anunciado pela empresa, de R$ 4 bilhões, de acordo com fontes próximas às discussões.
Entretanto, as conversas transcorreram em tom amistoso, afirmam as fontes. Os acionistas da Raízen pediram que os bancos fizessem uma nova contraproposta, sem prever mudanças na estrutura de capital da Raízen, acrescentaram as fontes.
A Raízen, empresa que tem o controle dividido entre Shell e Cosan – holding do empresário Rubens Ometto –, tem R$ 65 bilhões em dívidas declaradas no pedido de recuperação extrajudicial, feito em 10 de março.
Pessoas familiarizadas com o processo dizem que a intenção de todos os envolvidos é não ultrapassar os 90 dias previstos pela lei para entregar à Justiça um plano de reestruturação de consenso e que possa ser homologado.
Injeção de R$ 10 bilhões
A proposta da Shell é de um aporte de R$ 3,5 bilhões, somada a R$ 500 milhões de Ometto, sem envolver a Cosan, que seria diluída no processo.
Os credores, por sua vez, pedem uma injeção maior de capital, de R$ 10 bilhões. Apesar da evolução das conversas, não há sinalização de que o aporte chegue a esse montante, enquanto, por outro lado, fontes afirmam que também não houve uma negativa formal.
Do lado dos detentores de dívidas em dólar (bondholders), o grupo que participa das negociações têm 70% dos títulos e é formado por 45 fundos de investimento. Destes, os principais, que se sentam nas mesas de negociação, de acordo com fontes são as gestoras americanas AllianceBernstein, NFS e T. Rowe Price.
Os bondholders têm US$ 5 bilhões em créditos contra a Raízen e os bancos outros US$ 5 bilhões com bancos, enquanto US$ 3 bilhões são representados por títulos no mercado local.
Conversão de dívida em ações
O plano a partir do qual as negociações foram iniciadas esta semana previa, além do aporte de R$ 4 bilhões, a conversão de 45% das dívidas em ações. Os 55% restantes das obrigações teriam prazo alongado, sendo pagas em dez anos no caso da distribuidora e 13 anos no negócio das usinas.
A leitura inicial era de que, com o aporte conforme apresentado pelos acionistas, Shell e Ometto receberiam ações ordinárias da Raízen em uma proporção maior do que os credores na conversão dos 45% da dívida, que será em units (recibo formado por ações ordinárias e preferenciais).
A interpretação dos bancos era a de que isso daria maior poder aos atuais acionistas do que aos credores, que terão de certa forma colocado cerca de R$ 30 bilhões na Raízen por meio da conversão da dívida.
O plano de partida também prevê que os acionistas poderão indicar quatro membros ao conselho de administração, enquanto os credores, três.
Procurada, a Shell, que conduz as negociações com credores, não comentou.
Agência Estado| Altamiro Silva Junior, Talita Nascimento e Cynthia Decloedt

