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Socorro às usinas criado pelo BNDES não teve nenhuma adesão

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Única medida de apoio concedida pelo governo federal ao setor sucroalcooleiro para atravessar a crise provocada pelo coronavírus, a linha de financiamento de R$ 3 bilhões para estocar etanol, anunciada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) há mais de um mês, não recebeu até o momento nem um pedido sequer de acesso ao recurso, de acordo com as informações enviadas ao Valor pelo banco de fomento.

Questionado quanto ao motivo da ausência de demanda, o BNDES avaliou que foi a “melhora da situação do mercado de combustíveis ocorrida após o lançamento do produto”, que refletiu a desvalorização do dólar, a alta do petróleo e a recuperação da demanda.

Mas, quando a linha de financiamento foi colocada na praça, no início de junho, os preços do etanol no mercado já estavam acima dos preços de referência da linha, que são de R$ 1,54 o litro para o etanol hidratado e R$ 1,62 o litro para o etanol anidro. O preço de referência é o que o BNDES garante à usina pelo etanol estocado.

Na época do anúncio, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado vendido pelas usinas de São Paulo estava em R$ 1,622 o litro, enquanto o indicador do etanol anidro estava em R$ 1,8059 o litro. O único mercado acompanhado pelo Cepea em que os preços estavam – e ainda estão – abaixo dos valores de referência da linha de financiamento é o de etanol hidratado em Goiás, para vendas internas. E, de lá para cá, os preços do etanol pouco oscilaram nos mercados das regiões Centro-Sul e do Nordeste.

A linha para estocagem continuará disponível para tomada de recursos até o fim de setembro. Porém, com a evolução dos mercados de petróleo e açúcar até o momento e com o cenário de recuperação, ainda que moderada, do consumo de combustíveis, a perspectiva é que boa parte dos R$ 3 bilhões não sejam acessados, afirmou Padua.

Em projeções divulgadas nesta semana, a consultoria Pecege avaliou que os preços do etanol hidratado tendem a subir nos próximos meses com a redução da produção mesmo no cenário de recuperação mais lenta da demanda. No cenário mais pessimista, a Pecege estimou que o estoque de etanol em dezembro ficará pouco abaixo do registrado no fim de 2019, o que tende a facilitar a recuperação de preços.

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