Consultoria revisa estimativa de moagem após melhora da produtividade agrícola, mas alerta que chuvas podem prolongar a colheita e deixar cana para a próxima temporada
A safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul deve alcançar 641,1 milhões de toneladas, segundo nova projeção divulgada pela StoneX. O volume representa crescimento de 4,9% em relação ao ciclo anterior e uma revisão positiva de aproximadamente 9 milhões de toneladas frente à estimativa publicada pela consultoria em maio.
Segundo os analistas Marcelo Di Bonifacio Filho e Letícia Corrêa, a revisão reflete principalmente a recuperação da produtividade agrícola, favorecida pelas chuvas registradas nos últimos meses.
De acordo com a StoneX, a produtividade observada até maio alcançou 85 toneladas por hectare, avanço de 6,9% na comparação com a safra passada. Para o fechamento da temporada, a expectativa é de rendimento médio de 79,3 toneladas por hectare, crescimento de 6,5% sobre 2025/26.
Apesar da melhora no potencial produtivo, a consultoria destaca que o clima continuará sendo o principal fator de atenção para o restante da safra. A previsão de um segundo semestre mais chuvoso, influenciado por um evento de El Niño, pode prolongar a moagem e dificultar a colheita de toda a cana disponível dentro da janela tradicional.
Segundo a StoneX, o processamento deve ganhar ritmo entre julho e setembro, após os atrasos registrados principalmente em junho em razão das precipitações. Ainda assim, a consultoria avalia que parte da matéria-prima poderá permanecer no campo e ser colhida apenas entre março e maio de 2027.
Produção de açúcar deve recuar
Mesmo com maior disponibilidade de cana, a StoneX reduziu sua estimativa para a produção de açúcar no Centro-Sul. A projeção passou para 38,7 milhões de toneladas, queda de 4,2% em relação à safra anterior.
A consultoria estima que o mix açucareiro ficará em 46,1%, abaixo dos 50,4% registrados em 2025/26.
Segundo os analistas, a redução reflete tanto o desempenho observado desde o início da moagem quanto o atual cenário do mercado internacional, marcado por uma demanda física menos aquecida.
Na avaliação da StoneX, o mercado global não exige uma produção superior a 40 milhões de toneladas pelo Centro-Sul brasileiro, tornando um volume próximo de 39 milhões de toneladas mais compatível com os atuais níveis de preços internacionais.
Etanol deve atingir novo recorde
Com menor direcionamento de cana para açúcar, a consultoria projeta aumento da participação do etanol no mix de produção. A parcela destinada ao biocombustível deverá atingir 53,9%, ante 49,6% na temporada anterior.
Com isso, a produção total de etanol foi estimada em 38,8 bilhões de litros, alta de 15%, estabelecendo um novo recorde para o Centro-Sul.
Parte desse crescimento continuará sendo sustentada pelo avanço do etanol de milho. A StoneX estima produção de 10,8 bilhões de litros provenientes do cereal, frente aos 9,2 bilhões registrados em 2025/26.
Segundo a consultoria, o biocombustível de milho deverá responder por 28% de toda a produção de etanol da região ao final da safra. A expectativa é que o Centro-Sul encerre o ciclo com 47 usinas de etanol de milho em operação, além de outras seis unidades na região Norte-Nordeste.


