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Tereos quer frota agrícola usando biometano até 2029

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Investimentos em produção de biogás, biometado e fertilizantes são algumas das apostas da companhia, que quer ter 75% da sua cana certificada como sustentável

A Tereos, segunda maior produtora mundial de açúcar e segunda maior produtora de açúcar do Brasil, está dando mais um passo importante em direção à sustentabilidade. A companhia deve inaugurar, ainda em 2022, uma planta de biogás na sua unidade Cruz Alta, no interior de São Paulo.

A empresa vai usar a vinhaça, resíduo da cana-de-açúcar, para fabricar biometano, incrementando o portfólio de energia limpa. A ideia é substituir o diesel pelo biogás para abastecer a frota da companhia. De acordo com Everton Carpanezi, Superintendente de Operações Agroindustriais, a planta está em fase de finalização. Apesar de não revelar o valor do investimento, ele disse que a vinhaça utilizada para a produção do biogás e biometano virá de todas as sete unidades do grupo.

“A perspectiva é de que 100% da frota passe a utilizar biometano até 2029/30, visto que é uma das metas sustentáveis da empresa aumentar as iniciativas para substituir fertilizantes químicos por orgânicos”, afirmou Carpanezi.

A empresa acaba de firmar um compromisso com pela Ação Climática da Ambev com o objetivo de reduzir suas emissões. Entre as ações em andamento, estão a substituição de fertilizantes nitrogenados, que emitem GEEs, por orgânicos.

“Estamos sempre objetivando tornar nossas operações mais sustentáveis e, para isso, buscamos promover a excelência operacional, incluindo gestão responsável de resíduos e o melhor aproveitamento no ciclo de vida da cana-de-açúcar e subprodutos, além de aumentar as iniciativas para substituir fertilizantes químicos por orgânicos”, adicionou.

Dentro dessa frente, a Tereos tem também projetos de vinhaça localizada desde 2012/13 a fim de reduzir nossa exposição a fertilizantes nitrogenados. No fim de 2021, expandiu esses projetos para as unidades Andrade e Usina Vertente e, com isso, agora todas as unidades contam com essa iniciativa.

“Atualmente, já exploramos 75% do potencial de vinhaça localizada do grupo e é uma de nossas metas aumentar as iniciativas para substituir fertilizantes químicos por orgânicos”, adiciona Carpanezi.

Safra 2022/23 e investimentos em tecnologias no campo

A Tereos iniciou a safra 2022/23 com expectativa mais otimista que a temporada anterior, dadas as condições climáticas menos desafiadoras. “A expectativa é processarmos 17 milhões de toneladas de cana, com um mix de produção ainda mais açucareiro, sendo que 65% devem ser destinados para a produção de açúcar e 35%, para etanol”, diz o superintendente de Operações Agroindustriais.

 Nos canaviais a empresa tem feito investimentos em tecnologias, inovação e a inteligência no uso de dados que vem transformando o negócio da companhia de diversas maneiras. No campo, a Tereos tem feito monitoramento em tempo real de quase 300 mil hectares de canavial com o uso de satélites e drones, a presença de sensores nas máquinas agrícolas e a análise de todos esses dados que dão previsibilidade e agilidade de decisão.

“Também contamos com um Sistema de Operações Agrícolas (SimpleFarm) que centraliza informações relacionadas à produção agrícola: contratos de produtores, planejamento agrícola, registro de operações e recursos utilizados, estatísticas das safras e custos. O sistema compartilha as melhores práticas entre as sete unidades industriais, cumprindo cronogramas e orçamentos e reportando eventuais anomalias ou dificuldades observadas”, detalha.

Do plantio à colheita, a companhia tem todas as informações desde o cultivo no campo até a chegada da cana na planta. A partir desse sistema, atualmente tem uma matriz de colheita que direciona a companhia no planejamento levando em consideração os possíveis efeitos climáticos bem como a sanidade bloco a bloco do canavial.

“Em 2022, estamos implementando o COA, Centro de Operações Agroindustriais, que nos permitirá atuar com mais assertividade e velocidade tanto no campo quanto na indústria”, adiciona Carpanezi.

Com foco em inovação e tomada de decisões baseadas em dados, a Tereos conta com os serviços da AWS para ampliar o uso de tecnologias avançadas nas operações agrícolas, industriais e comerciais. A análise massiva de dados permite à empresa tomar decisões com uma visão ainda mais integrada de todo o processo produtivo: do plantio, manejo agrícola e colheita da cana, passando pela produção do açúcar, etanol e bioenergia e gerenciamento da demanda e entrega a clientes no mercado interno e de exportação.

Na parte agrícola, são diversas as iniciativas de captura de dados, incluindo imagens geradas por drones, VANTs, satélites, dados climáticos de estações meteorológicas e informações dos equipamentos agrícolas, por meio de sensores de IoT.

Um dos exemplos de aplicação de inteligência artificial foi o desenvolvimento de um algoritmo para detecção de plantas daninhas no canavial. Imagens captadas por drones são armazenadas na nuvem da AWS e processadas por uma rede neural. Especialistas da Tereos analisaram uma média de 30 mil imagens a cada 100 hectares plantados e ensinaram o sistema a identificar plantas daninhas e sinalizar quando uma ação precisa ser tomada para evitar a infestação. A assertividade já chega a 80%.

Hoje, sensores instalados em mais de 70 estações meteorológicas em todo o canavial medem umidade, pluviometria, temperatura, radiação solar, direção do vento e outros fatores climáticos que impactam diretamente na produção de cana-de-açúcar. Todos os dados são capturados em tempo real e armazenados na nuvem para análises posteriores, que correlacionam clima e produtividade.]

 

“Nas operações, implementamos novo nível de renovação do canavial, investimos na ampliação e automação de nossa Biofábrica de MPB (mudas pré-brotadas), e evoluímos nas operações de tratos culturais com o uso da plataforma Solinfitec para monitoramento. Com o uso, saímos de 20% de hora produtiva para 48% em dois anos”, explica o superintendente de Operações Agroindustriais da Tereos.

No campo, a Tereos tem feito monitoramento em tempo real de quase 300 mil hectares de canavial com o uso de satélites e drones, a presença de sensores nas máquinas agrícolas e a análise de todos esses dados que dão previsibilidade e agilidade de decisão. Foto: Ferdinando Ramos / Plus Images

Agroindústria em transformação digital

A Tereos iniciou sua jornada no uso de Analytics em 2017. A empresa começou com um projeto de supply chain clássico, envolvendo produção, estoque e vendas. Posteriormente, evoluiu para iniciativas mais estratégicas nas áreas agrícola, industrial e comercial, quando ficou clara a necessidade de uma infraestrutura ainda mais robusta, escalável e segura para utilizar os dados coletados, que contribuem para o melhor entendimento e monitoramento do canavial.

Em 2018, a Tereos elegeu a AWS como sua principal provedora de nuvem no Brasil. Na jornada de transformação digital da empresa, a adoção deste sistema foi fundamental para o sucesso dos projetos que envolvem IoT e analytics, uma vez que os modelos utilizados permitem a gestão da capacidade computacional e armazenamento de forma rápida e acessível.

Já em 2019, a empresa iniciou um programa piloto de Indústria 4.0 na Unidade Cruz Alta, a maior planta do grupo no Brasil, localizada em Olímpia (SP). Uma das iniciativas é o Gêmeo Digital, que faz análise e correlação de aproximadamente 350 fontes de dados dos sensores na indústria e demais sistemas legados.

A ferramenta, com execução na AWS, é uma réplica digital da operação industrial da Tereos. Com base em informações armazenadas em nuvem, como qualidade de matéria-prima, dados de laboratório e informações da operação, o Gêmeo Digital realiza predições de quantidade de açúcar em uma colheita e de energia consumida no seu processamento, por exemplo. Com o modelo de réplica online, a Tereos consegue hoje previsões mais frequentes e assertivas para tomada de decisão. “Estamos fazendo o rollout das melhores iniciativas que implementamos no projeto desde então”, afirma.

Hoje a Tereos possui um potencial de geração de energia de 1,4 milhão MWh para comercialização e a perspectiva é de ter metade desse montante disponível para geração de créditos de energia renovável para negociação no mercado.

Desde 2021, a empresa possui a certificação I-REC que permite a rastreabilidade da origem da energia e comprova geração a partir de fonte limpa e renovável. A companhia possui ainda o Selo Energia Verde, idealizado pela UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), em parceria com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e apoio da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL).

 Mais estratégias ESG

A sustentabilidade está no centro das operações da companhia, de acordo com o superintendente de Operações Agroindustriais, e em cada etapa do processo produtivo, seja no campo ou na indústria. Pela ótica da economia circular, a Tereos aproveita praticamente 100% da cana-de-açúcar.

” Extraímos o máximo valor da cana, gerando produtos e reaproveitando resíduos, como a levedura, que se transforma em insumo para ração animal, as cinzas e torta, que são ricas em matéria orgânica e voltam para a lavoura como fertilizantes, e a vinhaça. Do bagaço, outro resíduo da cana, geramos energia limpa que abastece nossas unidades e é exportada para a rede elétrica. Já com a fermentação da vinhaça obtemos o biogás, outra fonte de energia renovável”, afirma.

Ainda em relação a práticas ESG, a Tereos lançou no final de 2021 o seu primeiro Relatório de Sustentabilidade, que consolida as principais iniciativas nessa frente e traz todos os compromissos para o ciclo 2029/30.

“Entre esses compromissos, até a safra 2029/30 temos como meta reduzir em 21,5% o volume de água captada por tonelada de cana (em comparação à safra 17/18) e destinar adequadamente 100% de nossos resíduos gerados. Temos também um projeto para substituir 100% do diesel utilizado nos caminhões canavieiros por combustíveis renováveis, como o biometano. Por fim, para a safra 2029/30, temos a meta de alcançar 75% de matéria-prima (cana-de-açúcar) certificada como sustentável”, disse Superintendente de Operações Agroindustriais.

 Por Natália Cherubin

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