Investidor será o Grupo Viralcool, por meio de um ‘DIP Financing’; valor será usado para pagamento de credores e de dívidas fiscais da usina
A Usina Açucareira Furlan, que tem sede administrativa em Santa Bárbara d’Oeste e está em recuperação judicial desde junho de 2025, irá alienar a sua unidade em Avaré (SP) ao Grupo Viralcool por R$ 150 milhões. O valor será usado para pagamento de credores e de dívidas fiscais. A transação, chamada de “DIP Financing”, foi aprovada pela Justiça no último dia 10.
O DIP Financing permite uma empresa em recuperação judicial ter acesso a um financiamento dando como garantia uma propriedade.
Porém, esse financiamento precisa ser aprovado pela Justiça. No caso, a Usina Furlan, representada pelo escritório LCSC Advogados, apresentou em janeiro deste ano um pedido para alienação da sua unidade em Avaré ao Grupo Viralcool por R$ 150 milhões.
A estrutura em Avaré é composta por uma usina sucroalcooleira e pelas fazendas “Cantão do Rio Pardo” e “Cascata”, que têm cerca de 2,3 mil hectares, sendo 1,8 mil hectares de área produtiva, com capacidade para colheita de 200 mil toneladas de cana-de-açúcar.
O pedido foi aprovado pela 1ª Vara Regional Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem no último dia 10.
“Deverão, as Recuperandas, juntar aos autos a documentação referente ao financiamento imediatamente após a contratação. Além disso, deverão apresentar relatórios mensais padronizados, a fim de facilitar a fiscalização e garantir a rastreabilidade dos recursos”, ponderou o juiz José Guilherme Di Rienzo Marrey.
Com a transação concretizada, será criada a UPI (Unidade Produtiva Isolada) de Avaré, que poderá ser explorada pelo Grupo Viralcool. Além dos R$ 150 milhões, o investidor terá de pagar um valor mensal à Usina Furlan pelo direito de exploração.
Durante o período de uso, a UPI será colocada à venda, em processo que pode ou não ter o Grupo Viralcool como vencedor. A estimativa é que o valor de mercado do local seja quatro vezes maior que o do financiamento.
Se o Grupo Viralcool não ganhar, ele será colocado na lista de credores fora da recuperação judicial, mas com prioridade para recebimento do montante investido.
A Usina Furlan, por sua vez, irá usar os R$ 150 milhões para pagamento de quatro credores, que deram dinheiro à empresa tendo como garantia áreas dos imóveis que irão compor a UPI de Avaré.
Somadas, as dívidas com esses credores de fora da recuperação judicial chegam a R$ 157,5 milhões. Porém, eles aceitaram receber apenas parte dos montantes se a quitação for realizada até o início de março deste ano.
CREDORES
Os credores são uma usina de Marapoama (SP), cujo débito é de R$ 48,5 milhões, dois fundos de investimentos, com pendências de R$ 85 milhões e R$ 8,5 milhões, e uma securitizadora, cuja dívida é de R$ 15,5 milhões.
O valor que sobrar, bem como o montante arrecadado com a futura venda da UPI, serão usados para pagamento de credores da recuperação judicial e de débitos fiscais.
“A venda da UPI Avaré permitirá a acomodação não só do passivo concursal em patamares expressivos em comparação com a versão original do plano apresentado, mas também permitirá que parte não menos relevante dos valores arrecadados possa ser direcionada com a finalidade de regularização do passivo e obtenção das Certidões Negativas de Débitos”, ponderou a defesa da usina.
Segundo o processo de recuperação, a Usina Furlan tem uma dívida total de R$ 550,9 milhões, entre trabalhistas, garantias rurais, quirografárias e empresariais.
Do montante, R$ 219,3 milhões serão negociados por meio da ação, com propostas de parcelamento de até 15 vezes e possibilidade de deságio (desconto nos débitos) de até 90%. O plano será discutido em assembleias agendadas para os próximos dias 4 e 18.
O Liberal| Gabriel Pitor