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Milho: demanda da China deve crescer 10%

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A expectativa de demanda de milho por parte China pode aumentar ainda mais diante do anúncio feito pelo país, que quer aumentar o volume do grão nas produção de rações. Mesmo com atraso de plantio da safrinha 2023 e a melhora pontual nas condições de lavoura na Argentina, o clima favorável para plantio deve favorecer o mercado brasileiro.

Segundo o especialista Ruan Sene, analista de mercado da Grão Direto, o atraso na colheita da soja, vem atrasando o plantio do milho safrinha 2023, cenário que preocupa as indústrias chinesas que estão contando com a chegada desse milho em meados de junho e julho no mercado. O milho brasileiro se torna mais atrativo nessa época do ano por conta da oferta que chega ao mercado com a colheita da safrinha e, sabendo disso, a China já realizou compras para embarque em Junho/23.

“Houve recorde de volume exportado de milho brasileiro em janeiro, atingindo em torno de 6,3 milhões de toneladas, de acordo com a Secretaria de Exportação (Secex). Esse volume foi muito atípico a essa época do ano, reforçando o interesse de outros países pelo milho brasileiro”, destaca Sene.

Na Argentina as condições de lavoura tiveram uma melhora significativa, com um aumento de cerca de 10% nas boas/excelentes, redução de 7% nas ruins/péssimas e diminuição de 3% nas regulares/normais. Tais melhoras, segundo o analista, pressionaram as cotações de Chicago para baixo, finalizando a semana sendo cotadas a U$6,77 o bushel (-0,88%) para o contrato com vencimento em março/23.

Alta demanda podem fazer preços podem subir

Diante da expectativa climática e de precipitações em grande parte do território brasileiro, a expectativa é de que haja diminuição nos níveis das chuvas, o que vem a favorecer o cenário interno com relação ao avanço da colheita da safra da soja.

“Diante disso, há a expectativa de que com a colheita da oleaginosa, o plantio do milho se intensifique, aproveitando-se de condições mais favoráveis de semeadura nas lavouras”, disse.

Ainda de acordo com Sene, tendo em vista o anúncio feito pela China de que querem aumentar o volume de milho nas rações, pode-se esperar um consumo em cerca de 10% maior do cereal. Isso pode contribuir para um aumento na demanda, visto que a China irá iniciar suas compras do milho brasileiro com maior intensidade nos volumes.

“Esse fato, se confirmado, pode fazer com que os preços no mercado físico subam, e o mercado interno tenha que acompanhar essa alta diminuindo suas margens de lucro. Diante desse cenário, o milho apresenta uma perspectiva de balanço apertado em virtude da alta demanda para o período de colheita, sendo assim, durante essa semana, mantendo a sazonalidade de plantio”, disse.

Natália Cherubin para RPAnews

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