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Copersucar planeja entrar no mercado de energia de biomassa

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A Copersucar está preparada para entrar no mercado de comercialização de energia elétrica de biomassa. A decisão deverá ser tomada até março de 2024, quando termina a safra 2023/24 de cana, disse à reportagem Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da maior comercializadora global de açúcar e etanol.

Em biometano, produto vindo do biogás, a estratégia da Copersucar será estimular as associadas a criar projetos focados na transformação de resíduos em energia, para ser um negócio escalável.

Com 22 grupos econômicos e 37 usinas produtoras, a Copersucar responde por quase 30% da comercialização do mercado livre global, por meio da Alvean, de 30% do etanol, com a joint venture Evolua, que tem a Vibra (Ex-BR Distribuidora) como sócia. A Copersucar também opera no mercado americano com a EcoEnergy.

Segundo Pogetti, a comercialização de energia elétrica de biomassa seria um passo natural da Copersucar, mas o martelo só será batido nos próximos meses. A Vibra já avançou nesse projeto, com a compra da comercializadora Comerc. O projeto da Copersucar, em gestação, ocorre independentemente da parceria com a Vibra.

No Brasil, concorrentes como a Raízen e o Ultra também buscam se fortalecer como grandes comercializadoras de energia.

Outros produtos

A estratégia da Copersucar passa também por biogás e biometano. “Olhando para frente, vejo perspectiva de crescimento e competitividade com o mundo para extrair mais valor da cana e mais produtividade”, disse Pogetti. “Temos o resíduo que serve para fertirrigação. Do material orgânico, se produz o biogás e o produto depurado vira biometano, que pode substituir diesel em motores pesados. Isso era resíduo industrial. Esse é melhor exemplo de economia circular.”

Em uma projeção para 10 a 15 anos, a Copersucar acredita que as usinas do setor poderão se tornar autossuficientes em diesel, um dos principais custos da indústria.

Entre as associadas da companhia, o grupo Cocal tem uma planta já em produção e deverá começar a operar uma segunda unidade, que está em construção e será a primeira da empresa dedicada ao biometano, com localização pensada para ficar mais próxima da demanda. “Quero criar programa que incentive as demais usinas da Copersucar para acelerar o processo de investimentos”, observou.

Segundo ele, o biometano tem potencial para virar um grande negócio para o setor, assim como aconteceu com a cogeração de energia de bagaço de cana. “Se as usinas consolidarem a oferta por meio da Copersucar, podemos abrir mercado internacional pois estamos no mundo inteiro. Cuidamos da logística e distribuição.” O Japão, conforme o executivo, é um importador em potencial, que demonstra interesse nesse gás.

Atualmente, o biometano já conta com uma demanda considerada importante no mercado interno, como um substituto renovável do gás natural, do gás liquefeito de petróleo (GLP) e do diesel, por exemplo, e ainda deve se tornar matéria-prima para o combustível “verde” de aviação, conhecido como SAF, disse Tamar Roitman, gerente executiva da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás).

“O biometano pode substituir esses combustíveis. É utilizado na produção de aço verde, na indústria de fertilizantes, de vidro, e há o setor de transportes, substituindo especialmente o diesel, sendo aplicado junto ao gás natural em tratores e ônibus”, ressaltou.

Mas ela acredita que, hoje, um dos principais benefícios desse gás para o mercado é a autossuficiência em energia das usinas produtoras e a economia com o diesel.

Produção

A Abiogás estima que a produção nacional de biometano esteja em torno de 400 mil metros cúbicos por dia, com expectativa de encerrar 2023 com 1 milhão de metros cúbicos por dia. Para o ano que vem, a meta é alcançar os 3 milhões, segundo Roitman.

“A demanda está muito maior que a oferta, qualquer planta de biometano já sai com toda a oferta comprometida. Precisamos agora de mais plantas”, disse, citando a falta de logística como um limitador da expansão. “A maior dificuldade hoje é a infraestrutura de distribuição. As usinas de açúcar e álcool estão a maioria no interior, que não tem rede de gasoduto próxima aos consumidores”. Para ela, também são poucos os investimentos e apoios do governo, dada a necessidade desse mercado.

A partir do momento em que a logística avançar e que a produção crescer, as portas do mercado internacional devem se abrir. “O Japão certamente, mas países europeus também, países que não produzem gás”, afirmou a executiva.

Questão política

Olhando de um ponto de vista mais macro, Pogetti admite que essas alternativas à descarbonização são apostas promissoras, mas que ainda “têm mais desafios para serem efetivadas”, se comparadas ao etanol, por exemplo. “O etanol está mais pronto”.

Ainda assim, todas as alternativas que visem mitigar os danos causados pelo aquecimento global estão sendo discutidas pelo governo federal, com participação ativa da iniciativa privada. “Tem reuniões frequentes (com o governo), tem várias iniciativas, acho que a mais recente é a formatação do projeto de lei do combustível do futuro”, diz.

Segundo Pogetti, a expectativa e o esforço do Ministério de Minas e Energia (MME) é para que o projeto seja enviado ao Congresso Nacional ainda neste mês. O objetivo é apresentar medidas de descarbonização por diversas frentes, como o aumento na mistura de etanol à gasolina, de 27% para 30%. “É uma agenda que pode levar o Brasil a protagonista no mundo”.

Mônica Scaramuzzo ENayara Figueiredo — Globo Rural

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