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Produtores de cana refutam acusações de benefício com fogo: “Não faz sentido”

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Diretor da Canaoeste critica setores da sociedade que desconhecem evolução para colheita mecanizável e cogeração de energia

Os incêndios que bateram recorde este ano e causaram destruição em todo o país em nada beneficiam o setor sucroenergético, afirma o diretor executivo da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), Almir Torcatto.

Desde o início da crise, em agosto, circulam nas redes sociais comentários que acusam o segmento de ter provocado o fogo nas lavouras em benefício próprio.

Segundo o dirigente da Canaoeste, tais afirmações partem do desconhecimento de setores da sociedade e de especialistas que não acompanham a evolução desse segmento agrícola, que mecanizou a colheita e hoje não só fornece etanol e açúcar como produz energia elétrica por meio da cogeração nas usinas.

“A gente começou a produzir energia elétrica da biomassa, então não faz sentido a gente queimar biomassa no campo em vez de queimar na caldeira pra produzir energia elétrica”, diz.

Torcatto explica que, embora tenha sido uma prática comum nos anos 1980 e 1990, a queima da cana foi abandonada ao longo das décadas. Da mesma forma, a própria dinâmica das usinas se transformou em função da mecanização e das novas áreas de atuação das usinas.

“A sociedade está presa na década de 1980, década de 1990, quando ainda se utilizava o emprego de fogo para facilitar a colheita, quando a colheita ainda era manual. Hoje as colheitas são 100% mecanizáveis na nossa região, não tem cana de corte manual, e isso evoluiu de tal forma que, para usina receber cana queimada, é um problemão”, explica.

De acordo com o diretor da Canaoeste, além de todos os prejuízos para o campo em si, o aproveitamento da matéria-prima retirada da lavoura após ter sido queimada demanda ajustes na produção. Além disso, as áreas atingidas pelo fogo nos canaviais também afetam diretamente o planejamento daquilo que ainda pode ser colhido.

“É importante a sociedade entender que esse é um problema pra todo mundo. Como foi um volume muito grande de cana queimada, a gente não tem frente de colheita, às vezes a frente de colheita estava aqui, a cana queimada estava ali, não está planejado, e quando a colheita é mecanizada você tem um planejamento estratégico que facilita o decorrer da safra ao longo desses oito, nove meses de safra que se tem”, relata.

Prejuízos para a safra

Os canaviais estão entre as áreas mais atingidas pela recente onda de incêndios, principalmente no estado de São Paulo, onde 658,6 mil hectares de vegetações e plantações foram destruídas pelo fogo, segundo a Canaoeste, somente em agosto.

Entre os vários segmentos do agro prejudicados pelos incidentes, o sucroenergético teve perdas da ordem de R$ 2,76 milhões, segundo projeção da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

De acordo com o diretor da Canaoeste, os danos ainda estão sendo contabilizados, mas já é possível antecipar problemas, entre eles a incerteza de rebrota na cana queimada, o que obrigaria a um novo plantio e mais gastos aos produtores. “Se a cana estava no segundo corte e já atingiu a soqueira vai precisar replantar todo o canavial novamente. Isso custa na média de R$ 13 mil a R$ 14 mil por hectare”, diz.

Outro ponto levantado pelo dirigente é a perda de qualidade da cana que já se queimou. Isso porque a matéria-prima tem um tempo de perenidade e, se não aproveitada, acaba se deteriorando. “Como o volume de cana queimada foi muito, é muita matéria-prima pra ser processada, e a gente não tem ideia, dimensão ainda, de quanto acabou ficando no campo e não foi para as pras moendas”, afirma.

Para ele, no entanto, já é certo que a safra que começa em 2025 está prejudicada por conta dos canaviais que não poderão ser recuperados de imediato, já que as novas mudas demoram 18 meses para se desenvolver até o primeiro corte. Por isso, o momento é de planejamento, segundo o diretor.

“Essa área não vai ter cana na safra que vem, haverá um ano a menos de receita e só gasto. É hora de planejar o financeiro, de ter parcimônia, de fazer conta, de organizar, o produtor tem que se organizar”, diz.

Com informações do G1
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Episódio 26: Manejo de plantas daninhas em cana: por que começar antes faz toda a diferença?

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