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[Opinião] Sai Brega, entra Rego: a troca que sacudiu a Raízen do posto ao canavial

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Por Wladmir Eustáquio

 

Sai João Carlos Brega, entra Milton Rego no Conselho de Administração da Raízen. Uma mudança dessas no alto escalão pode parecer distante para o público, mas suas ondas de choque alcançam do frentista no posto ao produtor no canavial. Conforme divulgado na mídia, essa dança das cadeiras corporativa vem carregada de significado (e rende piadas nos bastidores, por que não?).

Contexto e porque isso importa:

A Raízen é uma gigante de energia integrada, dona de postos de combustíveis e vastos canaviais para etanol. Alterações no conselho normalmente sinalizam ajustes de rota na estratégia. Brega, executivo veterano (ex-Whirlpool), tinha um olhar voltado ao consumidor e gestão tradicional. Já Milton Rego traz perfil de indústria pesada e sustentabilidade, com experiência em associações industriais e defesa de energia verde. Em resumo bem-humorado: sai um especialista em geladeiras, entra um especialista em química. O que isso pode significar na prática?

Impacto nos postos (Downstream):

No varejo de combustíveis, a troca pode indicar mudança de foco. Com Brega, havia atenção à experiência do cliente na bomba e na loja de conveniência. Com Rego, há potencial de ênfase em eficiência operacional e fontes mais limpas. Ou seja, poderemos ver maior investimento em combustíveis sustentáveis, infraestrutura para carros elétricos ou programas de redução de emissões nos postos. Profissionais dos postos devem ficar atentos: novas tecnologias, treinamentos e práticas “verdes” podem entrar na ordem do dia para atender um consumidor cada vez mais consciente.

Impacto no canavial (Agro):

Nos campos de cana que abastecem a empresa, a mudança também pode trazer novidades. Milton Rego não vai trocar o terno por botas para operar colheitadeira, mas sua voz no conselho pode incentivar modernização no campo. Isso pode significar apoio extra à agricultura de precisão, máquinas mais avançadas e práticas sustentáveis para elevar a produtividade sem esquecer o meio ambiente. Profissionais do agro também devem ficar de olho: podem vir investimentos em tecnologia agrícola, projetos de energia renovável nas usinas ou metas ambientais mais ambiciosas “baixando” do topo.

De olho no futuro:

Nem toda mudança de conselheiro vira revolução, mas toda troca no conselho é um recado. A saída de um nome de peso e a entrada de outro mostram que a Raízen busca equilibrar continuidade e renovação – ajustar o rumo sem dar cavalo de pau. Para quem vive o dia a dia nos postos ou no agro, o melhor é manter-se aberto a novas diretrizes e oportunidades. Se a música da gestão mudar de ritmo, dance conforme a banda toca. No fim das contas, seja na bomba ou no canavial, quem se adapta colhe os frutos (ou enche o tanque) do sucesso.

 

*Wladimir Eustáquio Costa é CEO da Suporte Postos, especialista em mercados internacionais de combustíveis, conselheiro e interventor nomeado pelo CADE, com foco em governança e estratégia no setor downstream.

 

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