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Usinas do Centro-Sul têm queda de 27,5% na geração de caixa e aumento do endividamento, aponta Pecege

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Levantamento do Pecege mostra margens mais apertadas, custos crescentes e alongamento das dívidas na safra 2024/25. Expectativa é de novo aperto financeiro em 2025/26.

As usinas do Centro-Sul fecharam a safra 2024/25 com menor geração de caixa e endividamento mais elevado, em meio à alta dos custos agrícolas e industriais e margens cada vez mais comprimidas. A geração operacional de caixa ajustada pelo CAPEX recuou 27,5%, para R$ 45,28 por tonelada, enquanto a dívida líquida aumentou, acompanhada por um movimento de alongamento dos prazos de pagamento. Os dados fazem parte do levantamento realizado pelo Pecege, que mostra um setor financeiramente mais pressionado e com tendência de aperto também para a safra 2025/26.

A pesquisa padroniza dados públicos de demonstrações financeiras de 66 grupos, equivalentes a 133 unidades produtoras e 46% da moagem nacional. O estudo cobre seis anos de dados e 75 indicadores e, segundo a analista Roberta Vedana, busca “comparar comparáveis” — um esforço de reclassificação contábil que permite medir de forma uniforme o desempenho financeiro das empresas do setor.

O levantamento mostra que, apesar do avanço das receitas, o aumento de custos reduziu a rentabilidade do setor. A receita líquida total cresceu 8,5% em relação à safra anterior, impulsionada por fixações positivas de açúcar e preços melhores do etanol, apesar do câmbio desfavorável. O custo do produto vendido (CPV), porém, avançou 10,7%, revertendo parte desse ganho.

“O diesel foi o principal fator de pressão”, disse Pedro Perdigó, da área de pesquisa de mercado e relacionamento do Pecege. “No CTT, subimos de R$ 40,00/t (23/24) para R$ 46,50/t (24/25): corte +R$ 2/t, transbordo +R$ 2/t e transporte quase +R$ 3/t, onde o diesel pesa mais.” Ele acrescentou que os tratos de soqueira também encareceram. “Na operação, passamos de R$ 10,6/t para R$ 13,6/t.”

Perdigó detalhou ainda o impacto direto da irrigação e fertirrigação na última entressafra seca. “Para mitigar a falta de chuva, tivemos de acionar irrigação e fertirrigação, o que alavancou o custo em quase R$ 3/t.” Na indústria, dois vetores chamaram a atenção: os insumos químicos subiram pela baixa pureza da cana após incêndios em agosto — mais tratamento de caldo é mais produto — e a manutenção industrial ficou cerca de R$ 3/t mais cara, muito por materiais e serviços.

O lucro bruto caiu 4%, para R$ 77,51 por tonelada, e o EBITDA contábil recuou 9%. Quando ajustado pelo investimento recorrente, a queda foi de 15,6%, refletindo o avanço de 8,3% no CAPEX de manutenção, impulsionado por renovações de canaviais queimados e maior adubação corretiva. “O EBITDA contábil mascara a realidade de caixa. Quando ajustamos pelo investimento recorrente, vemos que sobra bem menos”, observou Samuel Municelli, durante a apresentação.

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Em verde: Empresas com geração de caixa operacional capaz de remunerar o capital e de liberar recursos adicionais para pagamento de dividendos, redução de endividamento ou investimentos em expansão. Em amarelo: Empresas em situação de alerta, com geração de caixa insuficiente para cobrir integralmente os juros. Em vermelho: Empresas que não conseguiram gerar caixa operacional suficiente para arcar com despesas financeiras e CAPEX, o que resultou em necessidade de endividamento adicional para sustentar o capital de giro.

O aumento dos custos também afetou a estrutura de capital. A relação Dívida Líquida/EBITDA passou de 0,74 para 0,84 vez, e a Dívida Líquida por tonelada, de R$ 114,74 para R$ 129,89. Embora o endividamento tenha crescido, o movimento foi acompanhado de um claro reperfilamento: menos passivos de curto prazo e alongamento de prazos para o longo. “O setor alongou dívidas e criou fôlego imediato, mas não folga real de caixa”, explicou Roberta Vedana. A liquidez corrente subiu de 1,79 para 1,85, e a seca, de 1,48 para 1,50, impulsionadas por ajustes positivos em valores a receber e estoques, enquanto o caixa recuou 1,8%.

Os indicadores de rentabilidade também recuaram. O retorno ao acionista (ROE) caiu para 10,6%, contra 15,5% na safra anterior e 33% em 2021/22. O retorno sobre o capital investido (ROIC) baixou de 15,5% para 12%, acompanhando a redução do lucro líquido e o aumento do patrimônio.

Para a safra 2025/26, o Pecege antecipa um cenário ainda mais apertado: o custo agrícola total no primeiro trimestre subiu de R$ 143 para R$ 190 por tonelada, e o agroindustrial, de R$ 193 para R$ 236. A tendência é de produtividade mais baixa, custos persistentes com diesel e fertilizantes e margens reduzidas. O açúcar deve perder rentabilidade, enquanto o etanol tende a sustentar parte da receita. Mesmo com a melhora esperada do preço do ATR, próximo de R$ 1,10 por quilo, a geração de caixa continuará sob pressão. “O cenário que foi ótimo em 23/24, e já apertou em 24/25, tende a apertar ainda mais em 25/26”, resumiu Samuel Municelli.

O estudo também mostrou avanços na gestão de informações financeiras. O Pecege lançou um painel interativo que permite às usinas comparar seus indicadores de geração de caixa, endividamento e liquidez com a média do setor. O sistema exibe quartis, histórico de cinco anos e o posicionamento individual de cada empresa. “Um indicador isolado não conta a história. O painel ajuda a construir contexto e enxergar a saúde financeira de forma mais precisa”, destacou Roberta Vedana.

Para o Pecege, as usinas encerram a safra 2024/25 com margens comprimidas, custos em alta e endividamento mais longo. Os analistas destacam que a liquidez melhorou apenas por efeito contábil, resultado do alongamento de prazos e não de aumento real de caixa. A avaliação é de que o desafio para 2025/26 será preservar caixa e produtividade, equilibrando CAPEX e disciplina financeira em um ambiente de preços mais voláteis e rentabilidade menor.

Natália Cherubin para RPAnews

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