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Acelen e Mubadala investem em macaúba para produzir combustíveis sustentáveis no Brasil

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Projeto da Mubadala prevê uso de pastagens degradadas e redução de até 80% na pegada de carbono, com foco em SAF e HVO de baixo carbono.

A Acelen, empresa controlada pelo fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, prepara um projeto inédito para produzir combustíveis sustentáveis a partir da macaúba no Brasil. A iniciativa prevê aporte direto do grupo árabe e deverá posicionar o país como polo relevante na produção de SAF (combustível sustentável de aviação) e HVO (diesel renovável de múltiplas aplicações).

O plano foi detalhado pelo CFO da Acelen, Marcelo Nogueira, durante o Global Halal Brazil Business Forum 2025, realizado em São Paulo. Segundo ele, a companhia — proprietária da Refinaria de Mataripe, na Bahia — quer viabilizar a produção em escala da oleaginosa, que pode gerar até dez vezes mais óleo do que a soja, com foco em atender à demanda global por combustíveis de baixo carbono.

O projeto priorizará áreas de pastagens degradadas para implantação dos cultivos, evitando o desmatamento de áreas florestadas. Além da produção de matéria-prima renovável, a Acelen espera que as lavouras de macaúba contribuam para o sequestro de CO₂, o que deve garantir classificação de baixo carbono aos produtos finais da companhia.

“Nós calculamos conseguir reduzir até 80%, podendo ser ainda mais, da pegada de carbono quando comparado ao combustível fóssil de aviação convencional”, afirmou Nogueira durante o evento.

O executivo destacou que o apoio financeiro do Mubadala será essencial para capitalizar o projeto até que as lavouras atinjam produção comercial. A macaúba, apesar de altamente produtiva, leva cerca de cinco anos para começar a frutificar, exigindo investimentos de longo prazo e visão estratégica.

Durante o painel, que abordou parcerias estratégicas entre o Brasil e o mundo islâmico, Nogueira defendeu maior aproximação entre o governo brasileiro e países árabes para criar um ambiente propício a cooperações de longo prazo.

“O projeto da Acelen é um exemplo de parceria estratégica, que une o potencial do Brasil na produção de biocombustíveis ao interesse dos países árabes em descarbonizar suas economias e acelerar a transição para o pós-petróleo”, afirmou. “Os benefícios são incalculáveis para os dois lados.”

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