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Seca e preços baixos desafiam a safra de cana-de-açúcar 2025/26

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Setor enfrenta queda de produtividade e incertezas no mercado do açúcar e do etanol

A safra de cana-de-açúcar 2025/26 segue marcada por retrações na moagem e perda de produtividade nas lavouras. De acordo com o balanço mais recente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), até 16 de outubro o Centro-Sul processou 524,96 milhões de toneladas de cana, volume 2,78% menor que o registrado no mesmo período da safra anterior.

O cenário é reflexo direto do clima. A gerente comercial da Usina Granelli, Mariana Granelli, explica que “a falta de chuvas acabou por não auxiliar no desenvolvimento do canavial”. O que prejudicou a produtividade e reduziu a qualidade da matéria-prima, assim o teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), indicador que mede a concentração de açúcar na cana, caiu 3,4% na comparação com a safra passada. Além disso, segundo ela, muitas usinas tiveram que encerrar a moagem antes do previsto por conta da quebra na produção.

Além da influência do clima, o setor enfrenta pressão sobre os preços. “O preço do açúcar, neste momento, está abaixo do custo de produção”, destaca Mariana. Ela explica que, enquanto o açúcar perdeu valor nos últimos meses, o etanol manteve patamares mais estáveis, servindo como alternativa para o direcionamento da produção ao longo da safra.

Dados divulgados pela Unica mostram que não foi só a Mariana que adotou essa estratégia, houve uma redução na proporção de cana destinada à produção de açúcar, especialmente em polos importantes como São Paulo e Paraná.

Entretanto, mesmo com a menor disponibilidade de cana para o adoçante, a produção de açúcar registrou leve crescimento e atingiu 36,02 milhões de toneladas no acumulado da safra. Já a fabricação de etanol somou 25,04 bilhões de litros, com retração de 8,23%.

Portanto, a safra atual deve fechar com produção e rentabilidade menores. As expectativas para o próximo ciclo dependem, sobretudo, do comportamento do clima e da recuperação dos preços. “Se as chuvas se mantiverem constantes, acreditamos que a seca não atingirá o que ocasionou este ano. O grande vilão é o preço, que não tem expectativa de melhora, só piora”, conclui Mariana.

Rede Globo| Luana da Fonte

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