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Projeto de créditos de carbono da Usina Coruripe é destaque na COP-30

A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Porto Cajueiro, em Minas Gerais, completa 20 anos e tem seu trabalho reconhecido com a apresentação do projeto REDD+ Sertão Veredas na COP-30
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A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Porto Cajueiro, em Minas Gerais, completa 20 anos e tem seu trabalho reconhecido com a apresentação do projeto REDD+ Sertão Veredas na COP-30, em Belém (PA). É o primeiro projeto de carbono de uma usina sucroenergética no Cerrado, reunindo conservação ambiental, inovação e desenvolvimento sustentável. A data escolhida para a exposição coincide com o aniversário da reserva, uma área de 15 mil hectares mantida pela Usina Coruripe e que deu origem à iniciativa.

O projeto foi desenvolvido em parceria entre a Usina Coruripe, Itaú Unibanco, Reservas Votorantim e EQAO. O Itaú é responsável pela assessoria e comercialização dos créditos; a Reservas Votorantim e a EQAO atuam na consultoria técnica e originação dos projetos. Submetido à Verra, principal certificadora internacional de créditos de carbono, o REDD+ Sertão Veredas — após homologação — tem previsão de gerar 72 mil créditos de carbono por ano, com base na metodologia REDD (redução de emissões por desmatamento e degradação florestal), aplicada a áreas com alta pressão de desmatamento.

No espaço “legado&futuro” da Votorantim, o gerente de Sustentabilidade da Usina Coruripe, Bertholdino Apolônio Júnior, é o responsável por apresentar o projeto em painel dedicado a iniciativas de impacto climático. Além de detalhar o REDD+ Sertão Veredas, ele também expõe as ações desenvolvidas na RPPN Porto Cajueiro, especialmente aquelas ligadas à conservação da fauna e à integração com comunidades locais. Um vídeo especial celebra as duas décadas da reserva.

Para Apolônio Júnior, o REDD+ Sertão Veredas representa uma nova etapa da atuação ambiental da companhia. “O projeto consolida duas décadas de compromisso com a preservação do Cerrado e mostra que é possível aliar conservação, pesquisa e geração de valor econômico. A Porto Cajueiro sempre foi um laboratório vivo de sustentabilidade e, agora, damos um passo além, transformando essa proteção em benefício climático para o país”, afirma.

O presidente da Usina Coruripe, Mario Lorencatto, ressalta que, ao longo de 20 anos, a RPPN Porto Cajueiro tornou-se uma das reservas privadas mais relevantes do Cerrado mineiro. Localizada às margens do rio Carinhanha, afluente do São Francisco, ela integra o Mosaico Sertão Veredas–Peruaçu, reconhecido pela rica biodiversidade e pela presença de espécies emblemáticas como onça-pintada, lobo-guará, irara, anta e jaguatirica. Nesse período, a área consolidou-se como polo de pesquisa científica, conservação da fauna e educação ambiental, sendo referência nacional em manejo sustentável e projetos de biodiversidade.

Entre as iniciativas marcantes está o Projeto Bicudo, focado na reintrodução do Sporophila maximiliani, pássaro ameaçado de extinção. Após décadas sem registros na natureza, a espécie voltou a ser observada na região graças ao criadouro conservacionista instalado na reserva. A ação é realizada em parceria com o Instituto Ariramba, Fundação Grupo Boticário, Museu de Zoologia da USP e Universidade Federal de São Carlos, resultando no nascimento de novos indivíduos preparados para soltura.

Outro destaque é o Projeto Mamíferos, que mantém monitoramento permanente de espécies de médio e grande porte, contribuindo para ações de manejo, conservação e estratégias de proteção da fauna.

Para Lorencatto, o REDD+ Sertão Veredas reafirma a vocação da RPPN como espaço que integra ciência e sustentabilidade. “Nosso propósito é dar continuidade ao que construímos nesses 20 anos, ampliando o impacto positivo sobre o Cerrado e as comunidades vizinhas. O projeto de carbono é uma nova forma de valorizar o que sempre defendemos: manter a floresta em pé é, acima de tudo, um investimento no futuro”, afirma.

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