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Jalles obtém crédito de R$ 200 milhões do BNDES para apoiar exportação de açúcar orgânico

Jalles
A produtividade dos canaviais da companhia atingiu 83,4 t de cana por hectare, uma queda de 8,4% em relação ao mesmo período da safra anterior.
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A Jalles Machado comunicou ao mercado, por meio de Fato Relevante divulgado em 2 de dezembro de 2025, que obteve um crédito de R$ 199.999.999,85 junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O financiamento foi firmado em 28 de novembro, no âmbito do Programa BNDES Brasil Soberano Crédito Emergencial.

Segundo a companhia, o crédito integra o Plano Brasil Soberano, criado pelo governo federal com apoio do BNDES, e tem como objetivo apoiar empresas exportadoras de bens que foram diretamente afetadas pela imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, conforme previsto na Medida Provisória nº 1.309, de 13 de agosto de 2025.

Condições do financiamento

O Fato Relevante detalha os principais termos do contrato:

  • Valor do crédito: R$ 199.999.999,85

  • Taxa de juros: 3,53% ao ano

  • Carência: 12 meses

  • Amortização: 48 parcelas mensais e sucessivas

    • primeira prestação em 15 de janeiro de 2027

    • última em 15 de dezembro de 2030

A companhia informou ainda que os recursos serão destinados à produção e exportação de açúcar orgânico, área na qual a Jalles é reconhecida por sua atuação relevante no mercado internacional.

O comunicado é assinado por Rodrigo Penna de Siqueira, diretor financeiro e de Relações com Investidores, que reforçou que a área de RI segue à disposição para esclarecimentos aos investidores.

Resultados recentes reforçam solidez financeira da companhia

A Jalles Machado encerrou o segundo trimestre da safra 2025/26 combinando expansão de receita e crescimento do EBITDA Ajustado, mesmo em um ambiente agrícola adverso. No acumulado do 6M26, o EBITDA Ajustado atingiu R$ 677,5 milhões, aumento de 20% sobre o ciclo anterior, enquanto a receita bruta avançou para R$ 1,284 bilhão, alta de 20,4%. Esse desempenho ocorreu apesar da menor disponibilidade de matéria-prima, custos pressionados e queda de produtividade, sustentado por preços mais atrativos do etanol, aumento das vendas de açúcar VHP e orgânico e avanço das receitas externas.

A moagem somou 3,269 milhões de toneladas no trimestre (–3,1%) e 6,111 milhões no acumulado da safra (–6,8%). A produtividade agrícola caiu 17,1% no 2T26 e 14,5% no 6M26, influenciada pela irregularidade das chuvas, altas temperaturas e matocompetição nas áreas orgânicas, enquanto o ATR médio permaneceu praticamente estável. A produção de açúcar totalizou 232,9 mil toneladas no trimestre (–6,6%), com forte avanço no VHP, e ficou praticamente estável no 6M26 (+0,1%). O açúcar orgânico caiu 38% no trimestre e 25,9% no acumulado. Já a produção de etanol recuou levemente no trimestre (–0,7%) e 14,6% no 6M26.

A comercialização apresentou forte avanço, com aumento de 21,3% no ATR vendido no trimestre e 18,6% no acumulado. As vendas de etanol cresceram 37,7% no trimestre e as de açúcar, 11%, impulsionadas sobretudo pelo VHP e pelo orgânico. A receita operacional bruta somou R$ 710,3 milhões no trimestre (+18,1%), com destaque para o mercado externo. O EBITDA Ajustado do trimestre atingiu R$ 408 milhões (+27,2%), e a companhia encerrou o período com R$ 1,487 bilhão em caixa, mantendo alavancagem em 1,2 vez.

A empresa reforçou, ainda, sua política de hedge como diferencial competitivo, com 75% do açúcar da safra 2026/27 já fixado a R$ 2.475/t e 36% da safra 2027/28 a R$ 2.530/t, além de estoques 26,5% menores no 6M26. A administração destacou que a queda de produtividade nas áreas orgânicas é pontual e que projetos estruturais — como ampliação de área irrigada, novas variedades e biogás da vinhaça — devem melhorar os indicadores nas próximas safras.

Natália Cherubin para RPAnews

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