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Brasil tem potencial para se tornar grande mercado de carbono, afirma Unica

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O Brasil reúne condições estruturais e regulatórias para se tornar um dos principais mercados globais de carbono nos próximos anos, impulsionado por uma matriz energética limpa, ampla produção de biocombustíveis e experiência prévia em políticas de descarbonização. A avaliação é do presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi.

Segundo ele, o país parte de uma base diferenciada em relação a outras economias, especialmente pela forte presença do etanol, do biodiesel e do biometano no setor de transportes, o que contribui para uma trajetória consistente de redução de emissões. Essa combinação, afirma, cria condições favoráveis para que o Brasil aproveite compromissos climáticos assumidos por outros países e blocos econômicos.

De acordo com informações publicadas pelo jornal Poder360, o Brasil trabalha para estruturar e regulamentar seu mercado de carbono até dezembro de 2026. Nesse processo, o Ministério da Fazenda criou uma secretaria extraordinária responsável pela coordenação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que deverá entrar em operação plena até 2030, como parte do Plano de Transformação Ecológica do governo federal.

Evandro Gussi também destacou que o país já possui um histórico relevante na mensuração e certificação de emissões evitadas, citando o RenovaBio como exemplo de política pública consolidada. Ainda que o programa não seja um mercado de carbono no modelo clássico de “cap and trade”, ele estabeleceu critérios técnicos rigorosos para cálculo da intensidade de carbono, o que coloca o Brasil em posição avançada nesse debate.

Em entrevista repercutida pelo Poder360, o presidente da Unica afirmou que essa experiência prévia tende a facilitar a implementação de um mercado regulado, ao reduzir incertezas técnicas e aumentar a confiança dos agentes econômicos no sistema.

O tema também foi relacionado ao contexto internacional da agenda climática. Conforme destacou o dirigente, o Brasil tem condições de avançar de forma pragmática na transição energética, mesmo diante das dificuldades enfrentadas por outros países. Ele ressaltou a complementaridade entre biocombustíveis e eletrificação, além dos desafios tecnológicos e econômicos ainda associados ao hidrogênio.

Ainda segundo o Poder360, Gussi defendeu que políticas ambientais devem reconhecer e valorizar atividades já sustentáveis, evitando a criação de barreiras adicionais para setores que contribuem efetivamente para a redução de emissões. Para ele, o desenvolvimento do mercado de carbono pode funcionar como instrumento de valorização desses esforços, fortalecendo a competitividade do país no cenário global.

Com informações do Poder360

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